A cada 45 dias, os jornais informam que uma nova reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) foi realizada. A partir disso, é definida uma nova taxa básica de juros da economia, assim como as diretrizes que devem ser seguidas pelos próximos meses. Porém, qual é a real relevância desse órgão para a sua vida e os seus investimentos?

É o que explicaremos neste post. Aqui, vamos apresentar o conceito desse órgão, sua atuação e histórico. Além disso, detalharemos seu funcionamento, a relação com a Selic e de que forma todos esses vieses impactam as suas aplicações financeiras.

A partir deste artigo, você terá acesso às principais informações sobre o Comitê de Política Monetária. Então, que tal saber mais? Acompanhe!

O que é o Copom?

O Comitê de Política Monetária é o órgão que determina os rumos da política monetária no Brasil. Faz parte do Banco Central (Bacen) e tem como responsabilidade definir a meta para a taxa básica de juros da economia, também chamada de Selic, com a finalidade de controlar a inflação.

Em outras palavras, é o Comitê de Política Monetária que direciona as cobranças feitas por financeiras, bancos e cartões de seus usuários, bem como assegura o controle dos aspectos inflacionários, que mantêm o poder de compra do consumidor. Dessa maneira, suas ações têm relação direta com o encarecimento dos produtos e o adiamento ou aceleração do processo de crescimento do Brasil.

Seus principais objetivos são:

  • determinar as diretrizes da política monetária;

  • delimitar a meta da Selic;

  • analisar o relatório de inflação do país.

Esses propósitos passaram a ser determinados a partir do regime de metas para a inflação, implementado em 1999 com a adoção do chamado tripé econômico, isto é, composto por metas inflacionárias e fiscais, além do câmbio flutuante.

Dessa forma, o Bacen busca manter a Selic próxima à meta estabelecida para o ano. É importante frisar que sua definição e de seus respectivos intervalos de tolerância é feita com 2 anos de antecedência, sempre no mês de junho.

Quando a inflação ultrapassar o limite em determinado período, o presidente em exercício do Bacen deve encaminhar uma carta aberta ao ministro da Fazenda para explicar o que ocorreu e quais medidas devem ser tomadas para fazer o índice voltar aos valores normais e em quanto tempo isso deve acontecer.

Histórico do Copom

O órgão que integra o Bacen foi criado em junho de 1996. O modelo adotado foi semelhante ao do Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, que tem as decisões de política monetária centralizadas no Federal Open Market Committee (FOMC).

Sua criação é derivada da necessidade de oferecer mais transparência ao processo decisório dos rumos da política monetária. Apesar de ter autonomia, a meta inflacionária pode ser modificada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), entidade máxima do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

Para compreender exatamente como essa estrutura funciona, veja o esquema que apresentamos, a seguir:

Subsistema Normativo

Seu único integrante é o CMN. Esse é o órgão máximo do SFN, com função exclusivamente normativa. É responsável pelo desenvolvimento das diretrizes do funcionamento do sistema e da política econômica.

Subsistema Supervisor

As entidades integrantes são executivas e estão logo abaixo do CMN. São órgãos responsáveis pela realização e fiscalização das diretrizes do SFN. Há 4 participantes:

  • Bacen: autoriza, fiscaliza e executa as instituições financeiras e emite papel-moeda. É uma autarquia relacionada ao Ministério da Fazenda;

  • Comissão de Valores Mobiliários (CVM): zela pela manutenção e funcionamento adequado do mercado de capitais, assim como fiscaliza, autoriza e executa as instituições integrantes. É outra autarquia do Ministério da Fazenda;

  • Superintendência de Seguros Privados (Susep): fiscaliza, autoriza e executa o mercado de seguros e títulos de capitalização, e habilita os corretores. Também é uma autarquia do Ministério da Fazenda;

  • Associação de Bancos e Corretoras de Valores (Anbima): representa os integrantes do mercado de capitais para o desenvolvimento econômico e social do país.

Abaixo dessa hierarquia ainda há os agentes especiais (como Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social — BNDES) e o subsistema operacional, composto por bancos comerciais, cooperativas de crédito, caixas econômicas, bancos de investimento e de desenvolvimento, sociedades de crédito imobiliário etc.

Quem integra o Copom?

Todos os integrantes desse Comitê são especificados a cada ata de reunião realizada. Eles fazem parte da Diretoria Colegiada do Bacen e são os seguintes:

  • presidente do Bacen;

  • diretor de Política Monetária;

  • diretor de Política Econômica;

  • diretor de Assuntos Internacionais e Gestão de Riscos Corporativos;

  • diretor de Organização do Sistema Financeiro e Controle de Operações do Crédito Rural;

  • diretor de Fiscalização;

  • diretor de Regulação;

  • diretor de Relacionamento Institucional e Cidadania;

  • diretor de Administração.

Apesar de todos esses integrantes, o voto decisório (ou de Minerva, como comumente é denominado) em caso de empate é do presidente do Bacen. Diante desse cenário, fica claro que suas decisões e as do Ministro da Fazenda influenciam diretamente na economia. Por isso, há uma expectativa grande do mercado a respeito dessas indicações.

Todos esses participantes têm direito a voto, mas precisam justificar tecnicamente suas posições. Essa medida serve para contribuir para as tomadas de decisão e também assegurar que o órgão tenha um caráter técnico, não político.

Além dos integrantes do Comitê de Política Monetária, outras pessoas participam das reuniões. É o caso de membros e chefes dos 7 setores do Bacen, ou seja:

  • Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos (Deban);

  • Departamento de Operações do Mercado Aberto (Demab);

  • Departamento Econômico (Depec);

  • Departamento de Estudos e Pesquisas (Depep);

  • Departamento das Reservas Internacionais (Depin);

  • Departamento de Assuntos Internacionais (Derin);

  • Departamento de Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais (Gerin).

Além deles, no primeiro dia há a participação do secretário executivo e do assessor de imprensa do Bacen, enquanto no segundo estão presentes os integrantes do Comitê de Política Monetária e o chefe do Depep.

Como funciona o Copom?

As reuniões ocorrem durante 2 dias seguidos. No primeiro, logo pela manhã, é realizada a Reunião de Mercado. Nela, é feita a apresentação do Deban em aproximadamente 30 minutos, que informa sobre as condições de funcionamento e liquidez do sistema bancário.

A próxima etapa é a atualização do Depin sobre as informações dos mercados financeiros de câmbio e internacionais. Por fim, há a apresentação do sumário do Demab a respeito do mercado monetário e das operações de mercado aberto.

Todas essas fases encerram a parte da manhã do primeiro dia. À tarde, com a reunião do Comitê de Política Monetária formalmente estabelecida, o Depec apresenta a conjuntura econômica doméstica e os dados são abertos para discussão. Vários temas entram em debate, como:

  • dados recentes da atividade econômica;

  • inflação;

  • política fiscal;

  • balanço de pagamentos;

  • agregados monetários e crédito.

A tarde é finalizada com a apresentação da conjuntura econômica internacional pelo Derin e, em seguida, pelo Gerin, que demonstra a evolução das expectativas para diferentes variáveis macroeconômicas, entre elas, a inflação.

Já no segundo dia, à tarde, é feita uma avaliação prospectiva entre os membros do Comitê e o chefe do Depep, que são os participantes no momento. São analisadas as projeções atualizadas para a inflação e, então, é feita a deliberação.

As conclusões são, então, debatidas, votadas e é chegado a um consenso sobre o texto do órgão, o posicionamento de cada e a decisão colegiada com as explicações necessárias ao mercado.

No caso da decisão relativa à inflação, que indica os riscos domésticos, é divulgada imediatamente por meio de um comunicado no site do Bacen. Já as apresentações técnicas do primeiro dia ficam em sigilo por 4 anos. Os documentos do segundo dia de reunião são preservados por 15 anos. Depois desse prazo, são divulgados na página do banco Central.

Ata da reunião e relatório de inflação

As atas de cada encontro são publicadas às 8h30min da terça-feira da semana posterior. O documento é divulgado no site do Bacen e também fornecido para os veículos de comunicação pela assessoria de imprensa. Essa ação é realizada desde julho de 2016, quando foi realizada a 200ª reunião do Copom.

Uma versão em inglês é elaborada e publicada poucos dias depois. Nos dois idiomas, o objetivo da ata é apresentar um resumo das discussões, na ânsia de cumprir o compromisso com a transparência e cumprimento do regime de metas para a inflação.

O propósito de acompanhar a divulgação desse documento é verificar os motivos que justificaram as decisões tomadas e identificar pistas que indiquem as próximas ações do colegiado.

Além disso, ao final de cada trimestre é publicado o relatório de inflação. Isso acontece sempre nos meses de março, junho, setembro e dezembro. Nesse documento há uma apresentação detalhada da conjuntura econômica e financeira do país e as previsões para a inflação dos próximos meses.

Essas projeções são apresentadas por meio de gráficos com o leque de inflação, que também indicam a distribuição probabilística para enfatizar o nível de incerteza das decisões tomadas na política monetária. Essas previsões são embasadas em dois cenários previamente determinados:

  • de referência, que contempla uma Selic constante e a taxa de câmbio considerada é aquele do dia anterior ao da reunião;

  • de mercado, que usa as medianas das expectativas de mercado para a Selic e o câmbio na véspera da reunião.

Os relatórios também estão disponíveis no site do Bacen e podem ser acessados a qualquer momento.

Copom e a taxa Selic

A taxa básica de juros da economia é um instrumento de política monetária utilizado pelo Comitê. Ela se constitui pelo nível de juros médio incidente sobre financiamentos diários com prazo de 1 dia útil, o chamado overnight, que usam como referência os títulos públicos cadastrados no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic).

Em outras palavras, esse índice é adotado para operações de empréstimo interbancário de curto prazo, já que os títulos públicos federais são utilizados como garantia para reduzir o risco e a remuneração da transação. Porém, como os papéis são adotados para as operações do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, a Selic se torna a taxa de referência do mercado.

Apesar de parecer que esse índice é fixo, ele varia todos os dias. Isso comprova que o percentual determinado pelo Copom é a meta que deve ser trabalhada. Por isso, as oscilações são pequenas.

Na prática, o que acontece é que o Copom é responsável por determinar a meta da Selic. Por sua vez, a mesa de operações do mercado aberto do Bacen deve manter a taxa o mais próximo possível do que foi determinado. Essa recomendação é necessária, porque ela se refere ao preço do dinheiro, por isso, deve ser o menor índice de juros do país.

Para entender melhor, imagine que o Comitê de Política Monetária determina que a Selic deve ficar em 12% ao ano. Nesse caso, o valor mínimo mensal do dinheiro deve ser de 1% da quantia emprestada. Em fevereiro de 2018, a taxa básica de juros ficou abaixo de 7% pela primeira vez na história do SFN, conforme dados da Agência Brasil.

O objetivo dessa redução foi favorecer o crescimento da economia, manter a inflação sob controle e evitar choques internacionais. Com essa justificativa, fica claro que a mudança da Selic implica alterações na rentabilidade das aplicações financeiras. De modo geral, ela tende a diminuir o retorno obtido. Porém, vale a pena destacar que essa análise só pode ser feita com clareza a partir de uma comparação com a inflação.

Isso significa que uma taxa básica de juros mais baixa ainda pode ser economicamente interessante para os investidores se a inflação, que corrói o poder de compra, manter-se em níveis também baixos.

Outra questão na qual a Selic exerce influência é a oferta de crédito do mercado. Como ela diminui os juros cobrados, há mais dinheiro disponível. Com isso, os empreendedores e toda a economia são beneficiados.

O que é o viés da taxa Selic?

Em alguns casos, o Comitê de Política Monetária pode determinar o viés de elevação ou redução. Esse instrumento é utilizado somente em situações específicas, porque permite que o presidente do Bacen modifique a meta da Selic a qualquer momento entre as reuniões realizadas.

Essa prerrogativa apenas é utilizada quando há uma possibilidade de mudança significativa no cenário econômico nacional ou internacional. Para se ter uma ideia da raridade desse evento, a última vez que ele foi adotado foi em março de 2003, na 82ª reunião.

Qual é o calendário do Copom?

Até 2005, as reuniões do Comitê de Política Monetária eram realizadas mensalmente. Em 2006, esse cenário mudou e ficou determinado que sua ocorrência seria de 8 vezes ao ano. Para isso, o intervalo a cada encontro passou a ser de 6 semanas (aproximadamente 42 dias).

Devido a essa alteração, as reuniões foram modificadas para 2 dias, sendo que o primeiro sempre cai em uma terça-feira, com a conclusão consequente na quarta-feira. O calendário completo também é divulgado anualmente até o final de junho do ano anterior. Por isso, todos sabem antecipadamente quando elas ocorrerão. Basta acessar os calendários de reuniões no site do Bacen.

Eventualmente, uma reunião extraordinária pode ser realizada por meio da convocação do presidente do Bacen. Essa medida é adotada quando alterações imprevistas aconteceram no cenário macroeconômico e o Copom precisa analisar e dar seu parecer a respeito.

Essa alternativa foi utilizada apenas 3 vezes desde a constituição do Comitê. A última foi em outubro de 2002.

Como o Copom afeta os investimentos?

As decisões do Comitê de Política Monetária devem ser acompanhadas com frequência por quem investe no mercado financeiro. Afinal, como citamos rapidamente anteriormente, a definição da Selic tende a impactar a rentabilidade da aplicação financeira.

Tanto a taxa básica de juros quanto a inflação, que é mensurada pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicam:

  • quanto você obterá de remuneração com o investimento;

  • qual aplicação é a mais adequada para o momento;

  • como gerir a carteira de investimentos para obter o máximo retorno.

Um exemplo claro de impacto do Copom nos investimentos é a renda fixa. Os títulos do Tesouro Direto, que são públicos, tendem a oferecer uma remuneração mais baixa quando a Selic está em patamares reduzidos. Novamente, é válido reforçar que essa análise só pode ser comprovada com a avaliação conjunta da inflação.

Para ficar mais claro, veja uma comparação entre o Tesouro Selic em 2015 e em 2017. No primeiro período, o rendimento chegou a 14,15% ao ano. Apesar da taxa elevada, o IPCA corroía parte do retorno devido à inflação, que estava em 10,67% ao ano. Nesse caso, a rentabilidade efetiva foi de 3,48%, sendo que ainda precisaria ser descontado o Imposto de Renda, de acordo com a tabela regressiva.

Já em 2017, a Selic começou a sofrer quedas. Mesmo assim, o rendimento real (já descontada a inflação) ficou em 5,69% ao ano em alguns períodos, justamente porque o IPCA estava baixo, em 2,46%. A remuneração máxima alcançou 8,15% ao ano.

A renda variável não tende a ser impactada diretamente pela Selic, mas há interferências indiretas. Com o corte na taxa básica de juros, é comum que muitos investidores optem por seguir para a renda variável, em vez da fixa. Porém, antes de fazer essa escolha, é preciso considerar o seu perfil e verificar se consegue lidar com as potenciais perdas implicadas no mercado de ações e derivativos.

O peso da inflação

A explicação acima evidenciou que a renda fixa continua sendo uma alternativa interessante mesmo com as decisões do Comitê de Política Monetária de diminuir a Selic. Isso porque o mais importante é considerar o peso da inflação e seu desconto sobre o rendimento.

É assim que você chega à remuneração real, ou seja, à taxa de juros que alcançou já com o desconto do IPCA e outros custos, como a tributação. Além disso, a renda fixa é uma opção recomendada para todos os perfis de investidores, do conservador ao arrojado. Isso porque oferece 3 garantias principais:

  • máxima segurança;

  • certeza de rentabilidade;

  • alta liquidez — lembrando que isso varia conforme a aplicação analisada.

A partir desses diferentes vieses, você consegue determinar quais investimentos são mais adequados. Assim, pode optar por aplicações com menos liquidez e/ou deixar de lado a garantia de remuneração em curto prazo.

Além disso, tenha em mente que os juros elevados impactam o poder de compra do consumidor, que gasta menos. Com isso, a economia deixa de crescer e é nesse momento que o Copom começa a diminuir a Selic, no intuito de fomentar o consumo.

Em 31 de julho de 2018, a Selic estava em 6,5%. Esse foi o primeiro dia da reunião e a expectativa era de que a taxa permanecesse nesse patamar, segundo informações apuradas pelo Valor. A opinião dos especialistas ouvidos pela reportagem é que as eleições de outubro de 2018 e os riscos externos não conseguem impactar nesse índice até o final do ano.

Já o Relatório Focus, divulgado pelo Estadão, indicou que a mediana para o IPCA em 2018 permanece em 3,49%, com previsão de 4,03% para 2019. Atentar a essas questões é imprescindível para fazer boas escolhas de investimento e garantir o máximo retorno.

De toda forma, a dica é: prefira uma Selic baixa com uma inflação ainda mais reduzida. Por isso, sempre que um corte na taxa básica de juros for anunciado, assim como um aumento no IPCA, faça as contas e verifique a possibilidade de sacar os valores empregados para investir em outras modalidades.

Se for impossível, tenha certeza de que investimentos de longo prazo não são impactados significativamente por alterações de curto ou médio prazo. Portanto, se você tem uma carteira com títulos que demorarão a vencer, considere levá-los até a data de vencimento.

Como pôde perceber, entender sobre o Copom e suas decisões é imprescindível para você como investidor e contribuinte. Esse Comitê é o responsável por traçar as diretrizes políticas e econômicas brasileiras. Por isso, acompanhar suas determinações é a melhor maneira de saber qual é o melhor caminho a seguir.

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