Se você se interessa por finanças e já fez pesquisas na Internet, deve ter lido em algum momento que o rendimento da poupança não compensa. Talvez a sua insatisfação com o rendimento da poupança até tenha feito surgir em você o interesse de aprender mais sobre economia e finanças.

De fato, a poupança é um dos investimentos menos rentáveis que existem no mercado. É uma das estratégias menos eficientes para a conquista da independência financeira, multiplicação de patrimônio, formação de aposentadoria, ou qualquer que seja o seu objetivo financeiro.

Chegou a hora de entender o porquê! Neste texto, vamos esclarecer dúvidas sobre como funciona o rendimento da poupança e por que ele não vale a pena como investimento!

O funcionamento da poupança

A poupança, também conhecida como caderneta de poupança, é o investimento mais tradicional da economia brasileira. Existe desde a época em que o Brasil era um Império, sob o governo de Dom Pedro II.

Praticamente todas as instituições financeiras oferecem contas poupança de forma gratuita. Como investimento, a poupança é bastante simples: qualquer um pode depositar quanto quiser e resgatar quando quiser. Incide uma remuneração mensal, a cada vez que o depósito completa “aniversário” e nenhuma taxa é cobrada.

Essa acessibilidade, além das praticidades que explicamos acima, são alguns dos motivos que fazem com que a poupança seja o investimento preferido dos brasileiros. A essa altura, duas dúvidas devem ter surgido em sua cabeça.

O que os bancos ganham com isso?

É natural que você se questione por que o banco se predispõe a guardar e remunerar o seu dinheiro na conta poupança, se não cobra nada em troca. A resposta é simples: o dinheiro que você coloca no banco é usado por ele em suas transações internas.

Entretanto, ele devolve esse dinheiro todos os dias (como dissemos, você pode fazer resgates da poupança a qualquer tempo), e com juros todos os meses. De certa forma, a poupança é uma espécie de empréstimo rápido ao banco.

Se a poupança é tão prática e acessível, por que dizem que ela não vale a pena?

Para sabermos a resposta dessa pergunta, precisamos entender algo importante sobre a poupança e que vamos explicar mais a fundo no próximo tópico.

O rendimento da poupança

Como dissemos, a cada vez que os seus depósitos feitos na poupança completam “aniversário”, mês a mês, você recebe uma remuneração. Essa remuneração é composta da Taxa Referencial e de um percentual de juros.

A Taxa Referencial (TR) é usada para remunerar valores guardados na poupança, no FGTS, para empréstimos do Sistema Financeiro de Habitação, entre outros casos.

A outra parte da remuneração da poupança é composta de um percentual de juros. Quando a poupança foi criada, em 1861, essa taxa era de 6% ao ano. Em 2015, essa taxa também era de 6% ao ano.

Atualmente, em 2018, após regras na forma de cálculo da remuneração da poupança, o percentual está cerca de 4,5% ao ano. Sem dúvidas, é um dos piores rendimentos entre todos os investimentos disponíveis no mercado.

Os 4 motivos que comprovam que o rendimento da poupança não vale a pena

1. Os percentuais da Taxa Referencial são baixos

Como você viu no item anterior, a remuneração da poupança é composta pela fórmula: TR + juros anuais. A TR foi criada no início dos anos 1990, com a intenção de servir de referência para os juros no Brasil, nunca devendo refletir a inflação do mês anterior. O cálculo da TR diária é feito pela divisão do índice mensal pelo número de dias úteis do mês observado.

Desde a implantação do Plano Real no Brasil, em 1994, e da conversão dos depósitos de Cruzeiros para Reais, em 1995, o maior percentual anual acumulado já atingido pela TR foi de 9,7849%, no ano de 1997. Desde então, esse percentual só vem caindo, com leves recuperações em alguns anos.

Em 2009, a TR atingiu a casa dos decimais pela primeira vez, com o percentual de 0,7090%. A TR finalizou o ano de 2017 com um rendimento acumulado de 0,5967%. São percentuais extremamente baixos, mesmo considerando que serão somados com mais uma taxa de juros.

2. Os percentuais da taxa de remuneração não são favoráveis

Em 04 de maio de 2012, as regras da poupança mudaram. A partir desse dia, a remuneração da poupança passou a ser de 70% da taxa SELIC (índice financeiro que representa os juros públicos), quando ela ficar igual ou abaixo de 8,5%.

Nos demais casos, com a SELIC acima de 8,5%, a remuneração continuaria sendo de 0,5% ao mês, ou 6% ao ano — assim como nos depósitos anteriores a 04 de maio de 2012.

Na prática, esses percentuais nunca foram favoráveis. A remuneração de 6% ao ano, ou 0,5% ao mês, é baixa. Para os depósitos posteriores a 04 de maio de 2012, há a possibilidade de a remuneração ser mais baixa ainda. Aliás, é o que vem acontecendo.

Segundo o Banco Central, no dia 1º de maio de 2018, a taxa de remuneração da poupança fechou em 0,3715% ao mês. Ao fazer as contas, claramente se conclui que é um retorno muito insatisfatório para um investimento. Além disso, desde 2017, a taxa SELIC vem caindo e, assim, o rendimento da poupança se torna ainda pior para o bolso de quem pretende investir nessa opção.

3. O rendimento da poupança tem dificuldade de superar a inflação

Além dos rendimentos nominais (ou seja: o valor que a poupança rende), um outro aspecto com o qual você deve se preocupar é o seu desempenho perante a inflação registrada no país.

Afinal, de nada adianta guardar uma quantia na poupança e depois resgatá-la com rendimentos, se essa quantia resgatada já não representa o mesmo poder de compra de antes.

A inflação no Brasil é medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA). Mesmo somando a TR e a taxa de remuneração, o rendimento da poupança superou o IPCA em poucas vezes na história. Isso significa que, ao deixar dinheiro depositado na poupança, há a possibilidade de perder poder de compra.

4. Existem outros investimentos muito melhores

A poupança é bastante popular por ser simples e segura. Porém, existem investimentos tão seguros quanto ela — e igualmente práticos, mas que oferecem chances muito maiores de rentabilidade.

Nem é preciso ir tão longe: dentro da renda fixa, praticamente todas as opções têm rentabilidade melhor que a poupança. Analisando as vantagens e desvantagens da poupança em relação a outros investimentos como o Tesouro Direto e os CDBs, só opta pela poupança quem está pouco preocupado com rentabilidade.

Os CDBs, por exemplo, são investimentos acessíveis e que podem oferecer rentabilidade de mais de 100% do CDI (índice financeiro de bancos privados).

Eles são extremamente simples: basta aplicar o dinheiro em uma instituição financeira privada, e dentro de um prazo contratado ela devolve o dinheiro com o acréscimo de percentuais superiores ao rendimento da poupança. Essa rentabilidade pode ser prefixada, ou pode ser variável, acompanhando algum índice financeiro, como o CDI (que mencionamos acima), a inflação ou algum outro.

Além disso, aplicações em CDB de até R$ 250.000,00 por CPF/CNPJ e por banco são protegidas pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), conferindo grande segurança a esse investimento. Não é preciso se preocupar com o risco de o banco não ter dinheiro para te pagar, pois o FGC cobre seu investimento.

Continue pesquisando sobre CDBs e outras modalidades de investimento. Afinal, como nós explicamos neste texto, o rendimento da poupança não compensa.

É muito melhor mudar para outros investimentos de renda fixa, que também sejam seguros, mas que, por outro lado, sejam mais rentáveis.

Sugerimos a leitura do nosso post com 7 tipos de investimentos para que você possa expandir seus horizontes. Assim, você será capaz de comparar o rendimento da poupança com o de outras modalidades melhores!