O que é IPCA? IPCA é a sigla para Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo. É a medida oficial da inflação, feita pelo IBGE com base em pesquisas de valores praticados no comércio de cidades brasileiras e usada pelo governo para definir diversos pontos da política econômica e monetária, como a taxa Selic.

Todo investidor, para ter resultados positivos no mercado financeiro, precisa saber o que é IPCA. Muita gente se preocupa apenas em olhar a taxa de juros, nas aplicações de renda fixa, ou a alta das cotações, no caso da renda variável, mas se esquece de avaliar os fatores que diminuem o valor real dos investimentos.

Como praticamente ninguém aplica dinheiro somente para guardá-lo, mas, sim, para usufruir dos benefícios que ele proporciona e realizar objetivos futuros, é essencial monitorar o poder de compra da moeda. Caso contrário, em vez de ter lucro com as aplicações financeiras, no fundo, a pessoa terá perda no potencial de consumo.

Para ajudá-lo a monitorar melhor os seus investimentos, mostramos a seguir o que é IPCA e como a inflação deve ser sempre considerada na hora de se aplicar dinheiro. Confira!

O QUE É IPCA?

Se você tem o costume de acompanhar os jornais, já deve ter ouvido falar nessa sigla, não é mesmo? IPCAsignifica Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo.

Na prática, ele é o indicador oficial da inflação no Brasil e, portanto, utilizado pelo governo para várias finalidades, como servir de parâmetro para a alteração da taxa básica de juros (Selic) e para o ajuste do salário mínimo.

O IPCA é elaborado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) desde o ano de 1979. O propósito principal do índice é identificar a variação dos preços, com base na verificação mensal dos seguintes grupos de produtos e serviços:

  • alimentação e bebidas;

  • habitação;

  • artigos de residência;

  • vestuário;

  • transportes;

  • saúde e cuidados pessoais;

  • despesas pessoais;

  • educação;

  • comunicação.

A pesquisa do IBGE é feita com prestadores de serviços, estabelecimentos comerciais, domicílios (para coletar preços de aluguéis e condomínios), além das concessionárias de serviços públicos. A coleta dos dados é realizada, via de regra, entre os dias 1º e 30 do mês em questão.

A elaboração do IPCA tem como referência as famílias que recebem de 1 a 40 salários mínimos por mês, seja de qual for a fonte de renda, e que morem em regiões urbanas do país.

A coleta dos dados é feita nas seguintes regiões metropolitanas:

  • Belém;

  • Fortaleza;

  • Recife;

  • Salvador;

  • Belo Horizonte;

  • Rio de Janeiro

  • São Paulo;

  • Curitiba;

  • Vitória;

  • Porto Alegre;

  • Brasília.

Além dessas regiões metropolitanas, o levantamento de preços também inclui os municípios de Goiânia e Campo Grande.

O resultado do IPCA é apresentado em porcentagem, por meio da comparação dos preços do mês de referência com os dados do mês anterior.

Para você ter uma ideia de como a inflação evoluiu no Brasil ao longo do plano Real, desde julho de 1994, quando a nova moeda passou a valer, até agosto de 2017, o acúmulo do IPCA foi de 466,9%. Nesse período, a maior taxa anual foi em 1995, que teve um índice de 22,41%. Já a menor ocorreu em 1998, quando a inflação oficial fechou em 1,65%.

Se você vivenciou a década de 1980 ou já ouviu falar de como era a economia nessa época, deve ter notado que as taxas do período do plano Real estão bem distantes da hiperinflação de outrora.

No Brasil, desde 1999, o Conselho Monetário Nacional (CMN), autoridade máxima do sistema financeiro no país, trabalha com um regime de metas de inflação, cujo cumprimento fica a cargo do Banco Central (Bacen). Para o ano de 2019, a meta para a inflação será de 4,25%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

OUTROS ÍNDICES

O IPCA é o indicador de inflação usado pelo governo, mas não é a única forma de se medir a alta dos preços. Existem outros índices feitos, tanto pelo IBGE quanto por instituições independentes, cada um com sua importância na economia e diferentes utilizações. Veja!

INPC

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) é calculado pelo IBGE. A grande diferença é que ele leva em consideração famílias com renda de até 5 salários mínimos. Por isso, dá um bom panorama sobre como a alta dos preços vem afetando os mais pobres. O INPC é geralmente usado em negociações de reajustes salariais.

IPCA-15

O IPCA-15 também é fruto da pesquisa do IBGE. O que diferencia o IPCA e o IPCA-15 é que, enquanto o primeiro abrange o período do primeiro ao último dia do mês, o segundo é medido a partir da metade do mês, do dia 16 ao dia 15.

Por causa dessa diferença de períodos e datas de divulgação, o IPCA-15 é considerado uma prévia do IPCA. Ele também é usado em reajustes de IPTU.

IGP-M

Ao contrário dos outros índices mencionados, o IGP-M não é calculado pelo IBGE, e sim pela Fundação Getúlio Vargas — portanto, trata-se de um índice independente do governo.

Em termos de metodologia, a diferença do IGP-M é que ele também leva em consideração os preços do atacado e itens da construção civil. Uma utilização bastante frequente desse índice é no reajuste de contratos de aluguel.

QUAL É A DIFERENÇA ENTRE INFLAÇÃO, DESINFLAÇÃO E DEFLAÇÃO?

Em seguida, você confere os significados de alguns conceitos que estão bastante ligados aos resultados do IPCA.

INFLAÇÃO

Caracteriza-se pelo aumento generalizado de preços, de forma sucessiva. Em muitos casos, os altos gastos dos governos são responsáveis pelo aumento da inflação, uma vez que eles são grandes consumidores na economia.

Como nem sempre conseguem honrar as despesas assumidas, os governos ora precisam emitir moeda para arcar com os compromissos, ora elevar as alíquotas de tributos.

No primeiro caso, com mais dinheiro em circulação, a moeda tende a perder o poder de compra. Em outras situações, altos custos de produção na indústria do país podem forçar os preços para cima, o que se traduz em aumento da inflação para o consumidor final.

DESINFLAÇÃO

Ocorre quando há uma desaceleração no ritmo de crescimento dos preços, embora eles continuem a subir em relação ao período de referência anterior. Por exemplo, ocorreria desinflação se houvesse as seguintes taxas mensais de um índice de aumento de preços: 0,75% / 0,65% / 0,40%.

DEFLAÇÃO

Acontece nos casos em que existe de fato uma queda no nível geral de preços ou uma espécie de “inflação negativa”. Por exemplo, uma variação mensal de -1%. Vale ressaltar que nem sempre a deflação é vantajosa, já que os produtores podem se sentir desestimulados a fabricar, o que pode gerar aumento de preços no futuro, pela falta das mercadorias.

COMO O IPCA AFETA O RETORNO FINAL DOS INVESTIMENTOS?

Agora que você já sabe o que é IPCA, é importante mencionar como esse índice interfere nas aplicações financeiras. Na verdade, você pode entender essa relação como se fosse uma queda de braço, em que de um lado está a taxa de juros do investimento, para fazer o dinheiro crescer, e de outro está a inflação, justamente para fazer o poder de compra diminuir.

Note que o efeito inflacionário não tira dinheiro propriamente dito do seu investimento, mas faz cair o potencial de consumo. Por exemplo, se com R$ 100 no bolso você conseguia comprar 10 produtos de R$ 10, após haver uma inflação de 10% ao ano, você só poderá adquirir nove mercadorias com a mesma quantia de antes, já que o preço dos produtos teria subido para R$ 11 (R$ 10 + 10%).

Nesse raciocínio, para valer a pena, a rentabilidade de um investimento deve superar a taxa de inflação do período em que o dinheiro foi aplicado. Quando isso ocorre, diz-se que houve ganho real do investidor.

Caso contrário, há somente o ganho nominal, ou seja, a aplicação chega a crescer, mas fica aquém da alta da inflação. O dinheiro, mesmo maior, vale menos do que antes da aplicação.

Por esses motivos, quando for escolher um investimento de renda fixa, você deve checar se a rentabilidade será superior ao IPCA do período, afinal, o seu retorno real virá da diferença entre a taxa de juros e a do índice de preços. Por exemplo, se uma aplicação render 9% ao ano e a inflação for de 3%, o ganho real será de 6%.

Por esse motivo, nem sempre uma taxa de juros mais alta é garantia de um lucro maior para o investidor. Imagine uma aplicação que renda 15% ao ano em um cenário em que a inflação fique em 10%. O ganho real será de apenas 5%, mesmo com os rendimentos maiores.

Portanto, o cenário anterior (juros nominais de 9% ao ano e juros reais de 6%) ainda é mais vantajoso e traz mais resultados a quem aplica, apenas das taxas menores. Logo, não se desespere com cortes na Selic: se ela ainda está acima do IPCA, isso significa que você terá lucro com seu investimento.

Proteger o poder de compra é um dos principais objetivos de quem investe visando o longo prazo, como quem poupa pensando na aposentadoria, por exemplo. Uma boa recomendação nesse caso são os títulos atrelados ao IPCA.

Eles repõem a inflação do período e acrescentam uma taxa de juros prefixada aos rendimentos. Assim, não importa o cenário, o investidor sempre terá ganhos reais.