O mercado de ações torna possível multiplicar o patrimônio com relativa rapidez. Por esse motivo, muita gente se sente atraída pela bolsa de valores. Ainda assim, não se pode negar que tal ambiente de negócios também envolve riscos elevados.

Como faz parte da chamada renda variável, o mercado acionário abrange ativos que tanto podem oferecer ganhos quanto perdas. Assim, quem pretende alocar recursos nessa categoria de investimento deve estar ciente das características desse tipo de aplicação.

Uma forma de se preparar para ingressar na bolsa de valores é estudar minuciosamente como ela funciona e, desse jeito, evitar alguns erros que iniciantes cometem por falta de educação financeira.

Conheça, a seguir, informações essenciais para você passar a investir em ações de empresas. Acompanhe!

O que é o mercado de ações?

O Sistema Financeiro Nacional (SFN) é composto de quatro principais ramos, que são os mercados de moeda, crédito, capitais e câmbio. O mercado de ações, por sua vez, faz parte do mercado de capitais. Nele, as empresas podem captar recursos junto a terceiros, como forma de financiarem as próprias atividades. Assim, elas passam a compartilhar ganhos e riscos com os investidores.

Inicialmente, as companhias identificam a necessidade de financiamento de longo prazo, por exemplo, para a expansão do negócio. Como não dispõem de todo o dinheiro para executar os próprios planos, elas vão à bolsa de valores captar o recurso que precisam.

Para tanto, essas empresas têm que abrir o capital e, desse jeito, tornarem-se sociedades anônimas (S/As). Depois de assumirem alguns compromissos com a bolsa de valores, no caso do Brasil, a B3, as companhias podem emitir ações, as quais podem ser comercializadas junto ao público investidor.

Quando isso ocorre, trata-se do mercado primário de ações, ou seja, o valor captado com a venda dos ativos vai direto para o caixa da empresa. Mais tarde, quando os papéis forem negociados entre os próprios investidores, haverá a ocorrência do chamado mercado secundário.

Na primeira venda de ações da empresa na bolsa, ela faz uma Oferta Pública Inicial, conhecida pela sigla IPO (do inglês Initial Public Offering). Nesse caso, é comum haver um preço prefixado para a aquisição de cada ativo.

Já no mercado secundário, as cotações dos papéis variam conforme a percepção dos participantes da bolsa (compradores e vendedores) acerca de uma possível valorização, ou não, dos ativos. Por isso, costuma-se dizer que o mercado de ações é caracterizado pela volatilidade, ou seja, a oscilação nos preços.

De modo geral, as pessoas ganham dinheiro no mercado acionário ao comprarem na baixa e venderem na alta das cotações. Entretanto, investidores mais sofisticados conseguem lucrar com o aluguel dos ativos ou, ainda, com a queda dos preços.

Agora que você já tem uma noção geral do mercado acionário, apresentaremos, na sequência, algumas etapas importantes de se cumprir para ganhar maturidade como investidor da bolsa. Continue a nos acompanhar!

3 passos essenciais para entender o mercado de ações

Saiba o que precisa ser feito antes de ingressar na bolsa de valores.

1. Entenda como funciona

Seja qual for o tipo de investimento que pretende realizar, é indispensável conhecê-lo a fundo para evitar erros considerados “bobos”. Assim, antes de comprar e vender papéis na bolsa de valores, é recomendável que você pesquise a respeito do mercado de ações, o que, em parte, já está fazendo agora!

Saiba, de antemão, que bilhões de reais são negociados diariamente na bolsa, durante o chamado pregão eletrônico, uma vez que as sessões presenciais são algo do passado.

Dessa forma, o denominado mercado de ações é composto por compradores e vendedores, tanto pessoas físicas quanto jurídicas. O preço dos papéis é formado justamente devido à interação entre esses dois grandes grupos de participantes do mercado.

Para você ter uma ideia de como isso funciona, saiba que a lei da oferta e da procura influencia bastante na formação das cotações, aliada a outros fatores, como as expectativas dos investidores acerca dos ativos em questão.

Quando quer vender determinada ação, o detentor do papel emite uma ordem de venda, com o valor que pretende receber pelo ativo e a respectiva quantidade que deseja comercializar. Se houver comprador disponível para pagar tal preço, o acordo é concretizado. Com isso, quem vende recebe o dinheiro, e quem adquire, os papéis.

Assim, a cotação da ação reflete justamente o mais recente negócio feito entre um vendedor e um comprador. Quando você vê a notícia de que certo papel está cotado a X reais, na verdade, essa informação se refere ao “último” acordo entre uma dupla de investidores.

Note que, se os compradores avaliarem que os preços pedidos pelos vendedores estão “altos” demais, é provável que as ordens de venda fiquem “encalhadas”. Dessa maneira, a tendência é de que os detentores dos papéis baixem os preços para se adequarem à demanda.

Por outro lado, se o mercado vê que uma ação tem boas perspectivas de valorização, os compradores tendem a desembolsar mais pelo papel, o que faz a cotação subir, devido à concorrência para ver quem consegue adquirir o ativo.

Perceba ainda que, para obter lucro no mercado de ações, o vendedor precisa encontrar um comprador disposto a pagar o preço pedido pelos papéis. Quando alguém adquire uma quantidade X de ativos e consegue negociá-la mais tarde por uma cotação superior à de compra, costuma-se dizer que houve a “realização do lucro”.

2. Converse com quem já conhece o mercado

Muita gente ingressa na bolsa de valores ao ver notícias de que o mercado acionário tem dado retornos significativos. Entretanto, quando esse tipo de informação é divulgada pelos veículos de comunicação, na verdade, geralmente é hora de sair e não de entrar nesse ambiente de negócios. Por quê, você pode estar se perguntando, não é mesmo?

Saiba que, via de regra, os investidores compram ativos quando os preços estão baixos, para revender os papéis quando eles se valorizarem. Assim, quando aparecem notícias de que a bolsa tem dado rendimentos consecutivos, é provável que as cotações já estejam em níveis considerados altos para se comprar papéis.

Então, seja por ingenuidade, seja por falta de informação, seja até por ganância, muitos indivíduos entram na bolsa quando os preços estão nas alturas. Tal atitude, às vezes, é comparada por analistas de mercado à situação em que alguém vai para um local no fim de uma festa.

Uma maneira de evitar isso, além de outras possíveis armadilhas do mercado de ações, é conversar com quem já está presente há algum tempo na bolsa de valores. Dessa maneira, você pode ouvir experiências e obter dicas valiosas para encurtar caminhos e prevenir tropeços.

Cuide, porém, para ter conversas com pessoas que vão agregar valor ao seu próprio aprendizado. Se você não tem conhecidos que investem em ações, pode ser útil ver vídeos ou ler livros de profissionais gabaritados que atuam na bolsa. Ao fazer isso, você ganha experiência no mercado de ações sem mesmo ter comprado algum papel.

A propósito, busque saber como as pessoas lidam com as emoções na hora de participar dos negócios na bolsa. Tenha em mente, de antemão, que a chamada “psicologia do mercado” é um dos principais assuntos que um investidor deve estudar para ter sucesso com ações.

Se é a primeira vez que você entrou em contato com esse tema, talvez acredite que ele não tenha tanta importância assim, certo? Entretanto, é na prática do dia a dia do mercado que determinadas emoções afloram e, em alguns casos, levam o investidor a tomar decisões precipitadas e sem fundamentos.

Por exemplo, se a pessoa vê que grande parte dos participantes do mercado vai em certa direção, como comprar ou vender o ativo X, ela se sente inclinada a ter o mesmo comportamento. Por vezes, chama-se isso de “efeito manada”. Na prática, é como se o indivíduo não quisesse se sentir excluído do grupo considerado por ele como “vencedor” ou “sensato”.

Em outro tipo de situação, o investidor que tomou um prejuízo busca se arriscar ainda mais para recuperar o valor perdido. Entenda, desde já, que o mercado de ações tanto pode oferecer ganhos quanto perdas. Assim, é recomendável saber a hora certa de sair de determinada operação, quando ela caminha no sentido oposto àquele esperado pelo investidor.

3. Pratique

Depois de adquirir uma bagagem de conhecimento que o capacite a ingressar na bolsa de valores, você precisa de fato praticar nesse ambiente de negócios. De início, pode ser interessante começar com quantias relativamente baixas, apenas para você se familiarizar com as transações no mercado acionário.

E como fazer isso? Em primeiro lugar, você tem que abrir uma conta de investimento num banco ou numa corretora de títulos e valores mobiliários. Em seguida, é necessário transferir uma quantia para essa conta. Via de regra, também é preciso fazer uma espécie de teste para identificação do seu perfil de tolerância a risco.

Em geral, quem investe na bolsa de valores tem perfil moderado ou agressivo, afinal, há chance de perda no mercado acionário, e quem aplica recursos lá deve estar ciente disso antes de fazer operações.

Após cumprir esses trâmites, o investidor deve conhecer como funciona o chamado home broker, que é a plataforma digital em que se emitem ordens de compra e de venda na bolsa de valores.

Como podem existir pequenas variações entre os home brokers das diferentes entidades que disponibilizam esse serviço, é recomendável que o investidor aprenda corretamente o funcionamento da plataforma, para evitar “apertar em algum botão” inapropriado.

Apesar de parecer algo banal, pode, sim, representar uma decisão equivocada e até prejudicial para o bolso, se a pessoa tomou uma atitude sem conhecer as consequências envolvidas.

De modo geral, os home brokers apresentam as cotações das ações, bem como as boletas para se emitir ordens de compra e de venda. Em seguida, você conhecerá termos específicos desse tipo de plataforma, na ocasião em que apresentaremos algumas palavras-chave do mercado acionário. Continue a nos acompanhar e fique por dentro!

Principais conceitos do mercado de ações

Quem opera na bolsa de valores precisa conhecer o “jargão” do mercado acionário, de modo a ser capaz de agir com desenvoltura nesse ambiente. Confira os significados de alguns termos.

Ação ordinária

É o tipo de ação que dá, ao acionista, direito de voto nas assembleias da companhia. Em geral, tal designação é representada pelas letras “ON” ao lado do nome da empresa.

Ação preferencial

É o tipo de ação que confere, ao investidor, prioridade no recebimento de dividendos por parte da sociedade anônima. Via de regra, as ações preferenciais são acompanhadas das letras “PN” ao lado do nome da companhia.

Acionista

Também conhecido como sócio, é aquele que adquire ações de uma empresa de capital aberto.

B3

É hoje o nome da bolsa de valores brasileira. A atual empresa surgiu em 2017, após a fusão entre a antiga BM&FBovespa e a Central de Custódia e Liquidação Financeira de Títulos Privados (Cetip). O nome B3 faz referência às palavras “Brasil, Bolsa e Balcão”.

Circuit Breaker

É um mecanismo utilizado pela bolsa brasileira para paralisar as negociações no pregão. Em geral, ele é acionado quando algum forte evento político, econômico, social etc. faz com que as cotações caiam rapidamente. Assim, previne-se o “pânico” na bolsa, em parte, causado pelo efeito manada.

Código de negociação

É um conjunto de letras e números que serve para representar determinado ativo nas plataformas de negociação. Por exemplo, as ações preferenciais da Petrobras são designadas pelo código PETR4.

Day Trade

Caracteriza as operações que são abertas e fechadas no mesmo dia. Também é conhecido por ser uma estratégia de investimento ou, para alguns autores, de especulação, já que as transações são realizadas com o objetivo de se lucrar em curtíssimo prazo.

Dividendo

É uma das formas de distribuição de lucros aos acionistas por parte das companhias. Assim, basta que o investidor tenha a posse do ativo em questão, até certa data limite, para obter o ganho oferecido pela empresa.

Ibovespa

É o principal indicador de desempenho do mercado de ações brasileiro. Em linhas gerais, funciona como um resumo da performance da bolsa, já que representa uma carteira teórica de ações com os principais papéis negociados na B3. A propósito, quando se ouve no noticiário que a bolsa subiu ou caiu, na verdade, a mídia apresenta o resultado do Ibovespa.

Lote fracionário

Em geral, é o lote cuja quantidade mínima para transação é de uma só ação. Assim, se a pessoa pretende comprar 1055 ações de uma companhia, possivelmente essas 55 terão que ser adquiridas no mercado fracionário. Na boleta de negociação no home broker, o código da ação comprada nesse tipo de lote vem acompanhado da letra “F” no final.

Lote padrão

É a quantidade de ações que deve ser negociada por vez para se realizar operações com determinado ativo. Via de regra, os lotes padrão de grande parte das companhias são compostos de 100 papéis, embora possa haver empresas cujos lotes são de 10 ou 1000 ativos.

Pregão

É o período diário em que o mercado de ações está aberto para transações.

Stop Gain

É um limite de lucro em determinada ação. Geralmente, é utilizado para se prevenir que a cotação do ativo cresça até um patamar esperado e volte a cair. Tal limite, via de regra, é preenchido previamente pelo investidor na boleta do home broker.

Assim, quando o ativo chegar ao preço-alvo, uma ordem automática de venda é lançada. Se concretizada a negociação, o investidor realiza o lucro esperado.

Stop Loss

Funciona como um limitador para eventuais prejuízos. Dessa forma, se em vez de subir, a cotação do ativo cair, o investidor pode programar o lançamento de uma ordem de venda a determinado valor, abaixo do preço inicial de compra, para prevenir que a ação caia demais e ele tenha um grande prejuízo.

Em muitos casos, os investidores utilizam os gráficos, com o histórico das cotações, para definir o ponto ideal de stop loss.

Trader

É quem tem como profissão fazer transações na bolsa de valores. Geralmente, tais indivíduos realizam operações de Day Trade. Eles também são conhecidos por “viverem da bolsa”.

Agora que você já conheceu alguns dos termos do jargão do mercado acionário, acompanhe em seguida certos questionamentos que muitos investidores têm.

 

Passo-a-passo-para-investir-na-bolsa-de-valores

5 Principais dúvidas sobre o mercado de ações

1. O que é análise técnica?

A análise técnica é uma maneira de se avaliar as principais tendências do mercado de ações. Isso é feito, de modo geral, por meio de gráficos de candlestick. Tais representações mostram os patamares de preços das ações em diferentes momentos, que são a abertura e o fechamento do pregão, além da máxima e da mínima cotação da sessão.

Como hoje em dia os gráficos são mostrados em plataformas digitais próprias para essa finalidade, é possível analisar os dados em periodicidades que vão de minutos até anos. Lado a lado, os candles permitem que o investidor identifique as tendências de alta, de baixa ou de congestão (estabilização dos preços) das cotações. Com essa avaliação, é possível definir os melhores pontos para entrada e para saída das operações.

Embora não seja uma regra, a análise técnica ou gráfica é mais utilizada para transações de curto prazo.

2. O que é a análise fundamentalista?

A análise fundamentalista é outro método de avaliação de ações. Nesse caso, o investidor toma decisões com base nos fundamentos econômicos da empresa, como lucro, dívida, faturamento etc. Tais informações são divulgadas pelas próprias empresas nos balanços trimestrais e anuais.

Geralmente, quem investe com base na análise fundamentalista tem o objetivo de lucrar em longo prazo, devido à valorização “natural” das companhias, fruto do crescimento dos negócios.

3. De quanto em quanto tempo devo monitorar a minha carteira de ações?

A diversificação dos ativos é uma forma de minimizar os riscos envolvidos no mercado de ações. Por isso, muitos investidores costumam comprar papéis de diferentes empresas, para que uma eventual perda seja compensada por um ganho.

E como gerenciar a carteira? Na verdade, tudo dependerá da estratégia utilizada pelo investidor. Por exemplo, quem utiliza o swing trader, tem o objetivo de lucrar num período que pode ir de dias a semanas.

Já quem opta pelo position trader, tem a expectativa de ganho num horizonte de alguns meses a até anos. A estratégia do “buy and hold”, por sua vez, tende a proporcionar retornos significativos em longo prazo, o que pode levar mais de cinco anos.

4. É possível lucrar com a queda das ações?

Sim, isso é possível na bolsa de valores, mas requer conhecimento especializado por parte do investidor, além de capital suficiente para bancar a operação. Pode-se dizer que tal transação faz parte de um nível avançado de atuação no mercado de ações.

Em geral, o investidor vende papéis a determinado preço. Para entregar os ativos ao comprador, ele precisa alugar as ações de outro participante do mercado. Mais tarde, aquele investidor compra os papéis por um preço menor do que vendeu inicialmente e, então, devolve os ativos para o locador e embolsa a diferença.

É claro que, para ter êxito nesse tipo de operação arrojada, o investidor deve ter capital suficiente para suportar eventuais subidas no preço da ação. Além disso, ele deve estar municiado de um conhecimento aprofundado de análise técnica, para saber se realmente está diante de uma tendência de baixa do ativo em questão.

5. Existem custos para operar na bolsa?

Para realizar transações no mercado de ações, como já mencionamos, é preciso ter conta em uma corretora de valores. Tal instituição geralmente cobra a chamada taxa de corretagem por cada ordem de compra ou de venda emitida pelo investidor. Além disso, há incidência de impostos e emolumentos da bolsa sobre cada operação.

Tenha em mente, então, que a rentabilidade líquida das suas transações na bolsa dependerá do número de operações que você realizar.

Como você deve ter percebido, o mercado de ações é um tanto complexo, logo, preparar-se com conhecimentos sólidos acerca desse ambiente é um dos requisitos para que o investidor tenha êxito na bolsa de valores.

Por falar nisso, você quer continuar a se aprofundar nesse tema? Não deixe de conferir, então, este outro post “Investindo em ações de longo prazo: quais são as melhores práticas?”.