Quando falamos sobre aplicações financeiras, vários são os tópicos abordados. Há quem indique a segurança. Outros optam pela liquidez. E ainda há aqueles que priorizam a rentabilidade. Nesse último caso, nada é melhor que investir em renda variável.

Esses ativos têm uma volatilidade maior, ou seja, seu preço varia muito. Por outro lado, o potencial de retorno é bem mais significativo. Por isso, são escolhidos por investidores de perfis moderado e arrojado. Mas você sabia que até mesmo os conservadores devem considerar essa possibilidade?

É para desvendar os mitos da renda variável que criamos este post. Aqui, você verá um guia completo que explicará seu conceito, as diferenças para a renda fixa e como aplicar seu dinheiro nessa modalidade.

O objetivo é deixar você preparado para aplicar parte de seu capital nesses ativos conhecidos por serem mais arriscados. Então, que tal saber mais? É só acompanhar!

O que é renda variável?

Esse é um tipo de investimento feito em aplicações financeiras específicas, nas quais a remuneração é desconhecida por parte do investidor. Isso acontece porque o mercado financeiro da renda variável sofre mais volatilidade e, com isso, a chance de ganhar ou perder muito é considerável.

Devido a esse risco elevado, muitas pessoas acreditam que investir seu dinheiro na renda variável é um erro. Há ainda quem acredite que somente profissionais especializados podem ter uma boa rentabilidade. No entanto, essas duas opiniões são falsas.

Na verdade, é importante diversificar os investimentos para garantir o máximo potencial de retorno. Além disso, existem diferentes níveis de risco nas aplicações da renda variável. Por isso, até mesmo investidores iniciantes ou que têm baixa tolerância a riscos podem ingressar nessa modalidade.

Voltando às especificações da renda variável, a remuneração varia positiva ou negativamente, de acordo com as expectativas do mercado. Por isso, os cenários micro e macroeconômicos interferem diretamente nas oscilações, que ocorrem a todo instante.

Os ativos da renda variável são negociados na bolsa de valores, também chamado de mercado de balcão. No Brasil, a representante é a B3, a antiga Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo.

Devido ao potencial de retorno, o total de investidores ativos na bolsa cresceu 12,6% em março de 2018, se comparado ao mesmo mês do ano anterior. O resultado foi de 674,1 mil participantes. No mercado à vista e de derivativos, o volume financeiro negociado por dia aumentou 32,4% no período e chegou a R$ 10,8 bilhões — os dados são do Valor Econômico.

O principal índice da B3 é o Ibovespa. Ele foi criado em 1968 e se tornou referência da performance das cotações de ações negociadas no pregão eletrônico. Por isso, ele é um bom indicador econômico, já que considera os ativos mais negociados no país.

Tipos de investimentos em renda variável

O mercado de balcão conta com diferentes ativos que podem ser negociados. A seguir, apresentamos os principais com suas respectivas características.

Ações

A bolsa de valores está diretamente atrelada às ações, o ativo provavelmente mais conhecido desse mercado. Elas representam um percentual do capital social de uma empresa sociedade anônima. Assim, ao adquirir uma ação, você passa a ter direito de participação nos resultados.

O objetivo da empresa ao emitir uma ação é captar recursos que potencializem seu crescimento. Esses ativos podem ser:

  • ordinários: oferecem direito de voto;

  • preferenciais: têm privilégio no recebimento de dividendos e reembolso de capital.

Em ambos os casos, o prazo de liquidação é D+3, ou seja, 3 dias a partir da negociação. Como principais vantagens podem ser citadas:

  • potencial de alta rentabilidade em longo prazo;

  • recebimento periódico de dividendos;

  • inexistência de capital inicial obrigatório;

  • capacidade de comprar ou vender ações quando desejar;

  • possibilidade de emprestar os ativos para obter uma renda extra.

BDRs Patrocinados

Os Brazilian Depositary Receipts Patrocinados são valores mobiliários fundamentados geralmente em ativos emitidos no exterior. Para sua expedição, é preciso que a empresa conte com uma instituição depositária no Brasil. Essa instituição é que será responsável pela remessa ou cancelamento dos títulos, dependendo da demanda dos investidores.

A liquidação também é D+3 e as principais vantagens desse ativo são:

  • facilidade de acesso aos valores mobiliários de empresas estrangeiras sem precisar pagar custos referentes à remessa de recursos para outros países;

  • possibilidade de diversificar investimentos, elaborar estratégias e realizar a arbitragem com ativos estrangeiros e locais;

  • operações realizadas no Brasil com liquidação em moeda local.

CEPAC

Esse é um valor mobiliário emitido por prefeituras e que é usado como meio de pagamento para ter o direito urbanístico adicional dentro do perímetro de uma operação urbana consorciada. Em outras palavras, o recurso é destinado para projetos de revitalização e os investidores que empregam seu capital no CEPAC tem o direito de elevar o potencial construtivo do local.

O prazo de liquidação é D+1, o que oferece ampla liquidez. Além disso, essa é uma oportunidade para os investidores que apostam na valorização imobiliária do local em que o projeto será estruturado.

Como consequência, há mais flexibilidade no desenvolvimento de projetos imobiliários e até um diferencial competitivo, se comparado aos imóveis padrão.

ETF

O Exchange Traded Fund é um fundo de ação que replica a carteira de um indicador referência do mercado. O índice pode ser qualquer um reconhecido pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Assim, essa aplicação é composta por diferentes ações de um setor, o que implica mais segurança. Por isso, é mais indicado para pessoas com pouco conhecimento sobre como o sistema financeiro funciona.

A liquidação é D+3. Já os benefícios são variados:

  • redução na taxa de administração, porque o investidor é cobrado somente pelos dias que mantiver a cota na carteira;

  • diversificação dos investimentos com apenas uma transação, situação que diminui o risco de concentração;

  • possibilidade de comercializar cotas no mercado secundário;

  • chance de acompanhamento das modificações na proporção ou composição da carteira teórica do índice de referência sem ter que comprar ou vender ativos.

Fundos de Investimentos Imobiliários

Os FIIs são voltados ao mercado imobiliário. Por isso, o gestor realiza somente esse tipo de aplicação financeira. Podem ser adquiridos imóveis urbanos, rurais, em construção, já finalizados e destinados a fins residenciais ou comerciais. Também é possível comprar títulos e valores mobiliários, como cotas de outros fundos, Letras de Crédito Imobiliário (LCIs), Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), ações de empresas do setor etc.

Dependendo da constituição da carteira de investimento, o FII tem risco maior ou menor. No caso das aplicações em LCI ou CRI, por exemplo, a possibilidade de prejuízos é menor, porque esses títulos fazem parte da renda fixa. Essa questão é definida pela política de investimento.

O rendimento do FII é obtido com locação, arrendamento ou venda. No caso de títulos de valores mobiliários, a remuneração é composta pelo retorno dos ativos ou diferença entre preços de venda e de compra.

O prazo de duração costuma ser indeterminado, com liquidação D+3. Entre as vantagens está a possibilidade de investir no mercado imobiliário sem precisar adquirir um bem ou desembolsar o valor relativo a uma propriedade. Aumentos nos valores das edificações também ocasionam o fortalecimento do patrimônio do fundo e a valorização do valor das cotas.

Além disso, a administração feita pelo gestor é uma garantia extra de que inexistirá problemas com os resultados obtidos. Assim, qualquer pessoa pode aplicar em FII, independentemente de ter muito ou pouco conhecimento do mercado financeiro.

Standard & Poor’s 500

O futuro S&P 500 integra o portfólio de derivativos de índices da bolsa de valores com referência em ações do mercado estrangeiro. Nesse caso, o investidor negocia hoje a previsão de preço futuro para a carteira representada pelo indicador S&P 500, que é divulgado pela Standard & Poor’s.

Esse índice é um dos mais representativos no mundo e reflete ações de 500 empresas dos Estados Unidos que são líderes nos setores de:

  • tecnologia;

  • saúde;

  • financeiro;

  • consumo;

  • materiais;

  • indústria;

  • serviços públicos.

Uma das peculiaridades é que o último dia de negociação é a terceira sexta-feira do mês de vencimento, que pode ser março, junho, setembro ou dezembro. A liquidação ocorre somente ao final do prazo.

Os benefícios de optar por esse investimento são:

  • ter um instrumento de hedge com ações estrangeiras, mas negociá-las no mercado local;

  • diversificar a carteira e usar a alavancagem sem os mesmos custos e a necessidade de posicionamento em outros ativos individuais do exterior;

  • aproveitar oportunidades de arbitragem com ativos que integram o S&P 500 ou derivativos baseados nele;

  • uso da infraestrutura de negociação e da Câmara da B3, com transações em dólares e liquidação em reais.

Índice Bovespa

O também chamado futuro de Ibovespa é o índice mais importante da bolsa brasileira. Seu critério é o retorno total das ações para refletir as variações dos ativos e a distribuição de rendimentos. Por isso, esse indicador é a referência para a remuneração dos fundos de ações e performance da bolsa de valores.

O último dia de negociação é a quarta-feira mais próxima do dia 15 do mês de vencimento, que pode ser fevereiro, abril, junho, agosto, outubro ou dezembro. A liquidação é no término do período.

As vantagens de aplicar seu capital no futuro de Ibovespa são:

  • ter uma estratégia de proteção contra os riscos da renda variável;

  • replicar o comportamento do índice sem desembolsos financeiros e custos da operação no mercado à vista;

  • realizar operações de proteção contra a volatilidade do mercado de ações;

  • manter posições com muita liquidez em uma única transação e sem precisar negociar ações individuais no mercado à vista;

  • fazer a arbitragem entre o mercado à vista com ETFs ou ações.

Índice Brasil 50

Esse indicador apresenta o desempenho médio das cotações dos 50 ativos de maior representatividade e negociabilidade do balcão. Sua composição é apenas de companhias listadas na B3, com exclusão dos índices BDRs e ativos de organizações em recuperação extrajudicial ou judicial, em intervenção, regime especial de administração temporária ou outras situações especiais.

O último dia de negociação é o primeiro dia útil do mês de vencimento, que pode ser qualquer um. As vantagens dessa modalidade são exatamente os mesmos da aplicação no Ibovespa.

Índice BRICS

Esse produto é fruto de uma parceria entre a B3 e a Johannesburg Stock Exchange (JSE). O contrato é uma associação dos países que integram os BRICS, ou seja, Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Novamente, é a possibilidade de complementar o portfólio com ações de mercado estrangeiro.

O último dia de negociação é a sessão anterior à data de vencimento do contrato. Esse prazo é na terceira quinta-feira do mês de término, que pode ser março, junho, setembro ou dezembro. As vantagens são as mesmas já listadas para o S&P 500.

Qual a diferença entre renda variável e renda fixa?

A descrição da renda variável já evidencia que essa modalidade é bastante diferente da renda fixa. Enquanto a primeira oferece maior potencial de retorno e, consequentemente, mais riscos, a outra preza pela segurança e menor volatilidade dos ativos.

É importante deixar claro que as duas alternativas oferecem pontos positivos e negativos. Tudo depende do que você busca como investidor e do seu perfil atual. Por exemplo: se é conservador, tenderá a escolher a renda fixa. Já quem for arrojado preferirá a variável.

Ainda assim, é recomendado diversificar a carteira e ter um percentual de ativos aplicado nas duas modalidades. Por isso, é essencial conhecer os prós e contras de cada uma das opções. É o que apresentamos em seguida.

Prós e contras da renda fixa

O objetivo aqui é garantir a segurança do retorno, em detrimento da remuneração. O investidor já sabe quanto receberá na data de vencimento e a forma de cálculo do rendimento, que pode ser pré ou pós-fixado. Vale a pena mencionar que a maioria dos ativos nesse caso são títulos de dívida, ou seja, o investidor empresta dinheiro a uma instituição.

O ponto positivo é o rendimento praticamente garantido, já que a possibilidade de perda é próxima de zero. Algumas aplicações, inclusive, têm o mesmo nível de segurança da poupança. Esse é o caso do Certificado de Depósito Bancário (CDB).

Além disso, alguns investimentos, como o próprio CDB, ainda contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que protege até R$ 250 mil por CPF e banco, com limitação a R$ 1 milhão por pessoa.

Outro ponto a favor é a liquidez, que costuma ser elevada. Isso significa que o investidor consegue transformar o valor empregado em dinheiro rapidamente. Ainda há a possibilidade de isenção do Imposto de Renda (IR), apenas nas Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e do Agronegócio (LCAs) e nos Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e do Agronegócio (CRAs).

Por outro lado, a rentabilidade é significativamente mais baixa que a da renda variável. Por isso, é quase obrigatório manter o dinheiro aplicado em longo prazo — e ainda assim o montante acumulado pode ser menor se comparado a outras modalidades.

Perceba que, nesses investimentos, o lucro aumenta conforme o prazo do investimento. Portanto, geralmente é uma ideia ruim sacar a quantia antes do vencimento. Outra questão é a necessidade de compreender as diferentes taxas cobradas, como de administração, entrada ou saída, come cotas (porcentagem destinada ao IR a cada 6 meses) e Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para resgates anteriores a 30 dias.

Por fim, outro contra é a exigência de algumas modalidades de aplicar um valor inicial muito elevado, caso do CRI, que pode requerer R$ 150 mil para uma aplicação, por exemplo.

Prós e contras da renda variável

Essa modalidade, por sua vez, tem como principal atrativo o potencial de retorno em curto prazo. Apesar de o investidor nunca saber quanto poderá receber ao fazer sua aplicação, é comum aproveitar algum momento de alta e obter uma remuneração considerável.

Essa aplicação também é bastante acessível para qualquer pessoa. Basta ter acesso à internet e uma conta em uma corretora de valores. Além disso, inexiste valor mínimo inicial de aplicação. O que você precisa cumprir é o pagamento de um lote de ativos.

Porém, devido às oscilações dos preços dos ativos, essa é uma aplicação arriscada e mais indicada para investidor com perfil arrojado. É por isso que se costuma indicar um estudo maior sobre o mercado financeiro a fim de evitar apostas e empregar seu capital em tendências.

Para evitar problemas, o ideal é organizar as finanças pessoais e fazer investimentos. Primeiro você deve formar uma reserva de emergência, que servirá para o pagamento de situações imprevistas. Esse montante deve ser aplicado na renda fixa e equivaler de 6 a 12 meses das suas despesas mensais.

Depois, você pode empregar valores renda fixa ou na renda variável. O ideal é que um percentual específico seja destinado a cada uma das alternativas. Dependendo do seu perfil, a maior parte deverá ser destinada para uma modalidade ou para a outra. De qualquer forma, vale a pena diversificar a carteira.

Por isso, se você é conservador, o ideal é escolher uma alternativa mais segura, como os FIIs. Em suma, o melhor investimento é aquele que se adequar ao que você deseja, aos seus objetivos e à sua tolerância ao risco.

Como investir em renda variável?

O primeiro passo para realizar essa ação é abrir uma conta em uma corretora de valores ou banco. A partir disso, você terá acesso aos melhores investimentos, que costumam estar nos bancos de médio porte, mas totalmente consolidados no mercado, como o Paraná Banco, que teve um lucro líquido recorrente de R$ 200 milhões em 2017.

Verifique ainda as taxas de corretagem e de custódia cobradas, porque elas ajudam a corroer sua remuneração. Da mesma forma, é preciso analisar os impostos. Para a renda variável, há isenção de IOF, mas o IR permanece. Por isso, ele pode ter um impacto significativo no lucro obtido.

Em seguida, você precisa utilizar alguma corrente de análise. As duas principais são a fundamentalista e a técnica. A primeira é apropriada para selecionar as ações que devem ser adquiridas. A segunda, para definir o momento de aquisição dos ativos.

Como você pode perceber, esses dois vieses são complementares, não concorrentes. Por isso, é comum utilizá-los em conjunto. Essa é uma forma de maximizar o potencial de ganho e minimizar as possíveis perdas.

Em qualquer dos casos, tenha sempre em mente que a bolsa de valores nunca é um mercado em que você pode apenas apostar. Esse não é um jogo de cartas, em que você blefa e tenta ganhar do concorrente. Nessa situação você é seu principal oponente e precisa traçar muito bem uma estratégia para conseguir vencer.

É como em um jogo de dominó, no qual você conta as peças para saber quais números podem estar na mão do seu oponente. A diferença é que no mercado de balcão é feita uma análise de gráficos, dados e tendências, que apontam possibilidades de alta ou queda para determinado ativo.

Portanto, é essencial buscar conhecimento constante sobre o mercado, seja por meio de materiais (como este!), seja pela realização de cursos ou leitura de livros. Usar ferramentas específicas para a análise na renda variável é outra atitude recomendada, especialmente se você quiser se especializar e fazer o dinheiro realmente trabalhar para você.

Mesmo que esse esteja longe de ser seu objetivo, é preciso sempre atentar aos riscos de investir nessa modalidade. Aplique somente uma parte do capital disponível, excluindo a reserva de emergência, que deve ser mantida acessível qualquer que seja a situação.

E uma última dica: mantenha a disciplina e as emoções sob controle. Os ativos da renda variável sofrem muita volatilidade. Por isso, é fácil achar que está na hora de vender um papel e auferir perdas por agir de maneira impulsiva. Então, mantenha a calma e lembre-se de que prejuízos poderão ser contornados no longo prazo.

Assim, investir em renda variável é uma alternativa interessante e que pode trazer um bom retorno em curto, médio e longo prazos. O foco sempre deve ser o último período, porque assim você tem mais tranquilidade para agir em suas operações. Tenha em mente que há várias possibilidades de aplicações financeiras — e uma delas está mais adequada ao seu perfil.

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