Quem investe em ações nos horizontes de médio e longo prazo pode ter os indicadores fundamentalistas como grandes aliados na hora de escolher os ativos mais promissores para compor a própria carteira de investimentos.

Como você deve saber, a bolsa de valores é marcada pelo sobe e desce das cotações dos papéis. Em geral, a oscilação dos preços das ações é bastante utilizada na análise técnica ou gráfica, a qual tenta prever tendências do mercado, como alta, baixa ou consolidação dos preços.

Já a análise fundamentalista busca avaliar as bases do negócio, para identificar se a companhia tem ou não saúde financeira e se vale a pena investir nela para ganhar dinheiro no longo prazo.

Conheça, a seguir, três dos principais indicadores fundamentalistas e passe a enxergar as companhias de capital aberto de outra forma. Acompanhe!

Quais são os principais indicadores fundamentalistas?

1. Preço/Lucro

Conhecido como P/L ou Preço sobre o Resultado (PSR), o Preço/Lucro de uma companhia está entre os indicadores fundamentalistas mais analisados pelos investidores. Tal métrica avalia a relação entre a cotação da ação em determinado momento pelo lucro líquido por papel que a respectiva companhia gerou no último ano.

Mantidas as condições na hora do cálculo, o índice P/L também mostra quanto tempo o investidor demoraria para ter o capital inicial de volta, após receber sucessivos lucros com o ativo.

Em geral, o cálculo é feito por meio da divisão do preço da ação pelo lucro por ação em determinado período.

Vamos imaginar a hipótese em que uma companhia emitiu 2 bilhões de ações ordinárias (que dão ao acionista direito de voto nas assembleias da empresa) e que o lucro líquido dela foi de R$ 4 bilhões nos últimos doze meses.

Vamos supor ainda que a cotação de cada ação está em R$ 10.

Agora, para encontrarmos o índice P/L da companhia, precisamos descobrir antes o Lucro por Ação (LPA). Para tanto, basta dividir o lucro líquido pelo número de ações. Nesse caso, o ganho seria de R$ 2 por cada ativo. Em seguida, é só dividir o preço pelo LPA (10/2). Então, teremos um índice P/L de 5.

E o que isso quer dizer? Na verdade, se mantidas essas condições, como um lucro anual de R$ 2 por ação, o investidor demoraria cinco anos para receber o valor aplicado de volta.

2. Preço/Valor Patrimonial por Ação

O índice de Preço/Valor Patrimonial por Ação (P/VPA) é, basicamente, uma métrica que relaciona o quanto a empresa vale e o quanto os investidores estão dispostos a pagar por ela.

Nesse caso, o preço se refere à cotação da ação em determinado momento, já o VPA representa a divisão do patrimônio líquido da companhia (diferença entre ativos e passivos) nos últimos doze meses pelo número de ações que compõem o capital social do negócio.

Vamos a mais um exemplo. Se o patrimônio líquido (PL) da empresa é de R$ 15 bilhões e o número de ações de é 3 bilhões, o VPA é de 5. Agora se supormos que a cotação do papel está em R$ 10, o Preço/Valor Patrimonial por Ação será de 2.

É claro que esse número, por si só, ainda não diz muito. Então, é preciso compará-lo com alguns referenciais. Por exemplo, se o P/VPA fosse igual a 1, significaria que a ação estava cotada pelo próprio patrimônio líquido da empresa.

Já se fosse abaixo de 1, o papel valeria no mercado menos do que o PL. Tal situação poderia ser indício de algum problema na empresa. Por fim, se o P/VPA fosse maior do que 1, os investidores estariam dispostos a pagar mais do que o P/L do negócio por uma série de motivos, como grande expectativa de crescimento.

3. Dívida Líquida/EBITDA

O índice Dívida Líquida/EBITDA serve justamente para que o investidor avalie o nível de endividamento de determinada companhia. Para tanto, ele deve conhecer o valor da dívida líquida do negócio e relacioná-lo com os lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA, na sigla em inglês).

Antes, cabe salientar que a dívida líquida é resultado da dívida bruta menos o caixa ou equivalente de caixa (títulos que podem ser convertidos em dinheiro, por exemplo). Já o EBITDA pode ser considerado como o resultado operacional da companhia ou aquilo que ela gerou de valor agregado em determinado período.

Assim, vamos supor que a dívida líquida de certa empresa é R$ 4 bilhões, enquanto o EBITDA dela é de R$ 5 bilhões. Nesse caso, o índice Dívida Líquida/EBITDA será de 0,8. Esse nível de endividamento pode ser considerado baixo.

Se esse índice for inferior a 2, a relação é confortável para a companhia. Entre 2 e 3,5 ela fica aceitável. Porém, acima de 3,5 o nível de endividamento é alto, afinal, a empresa terá que trabalhar muito para gerar valor e pagar o que deve.

Note que esses dados devem ser correlacionados com a capacidade de a companhia fazer receitas.

Por que não interpretar os indicadores isoladamente?

Como você pode perceber, os indicadores fundamentalistas analisam o negócio sob diferentes perspectivas, como receitas, despesas, lucro, dívidas, patrimônio líquido etc. E como saber esses dados? Na verdade, eles são divulgados a cada três meses nos balanços apresentados pelas companhias listadas na bolsa de valores.

Ao analisar esses materiais e relacioná-los com o setor ao qual a empresa faz parte e com o contexto da economia em geral, o investidor que segue a análise fundamentalista passa a ter mais embasamento para tomar decisões de longo prazo.

É importante mencionar que os indicadores fundamentalistas não devem ser vistos de forma isolada. Afinal, a situação específica de cada empresa pode fazer com que ela apresente uma eventual condição atípica pela avaliação do “número frio”.

Por exemplo, empresas que entraram há poucos anos na bolsa e estão em fase de expansão geralmente apresentam índices bem diversos de companhias que já estão há mais tempo nesse mercado.

Além disso, o investidor precisa ter um olhar apurado para o cenário econômico, como taxa básica de juros (Selic), inflação, taxas de câmbio etc. Por exemplo, para algumas companhias, o dólar alto pode ser bom, devido ao aumento de receitas com exportações.

Já para outras, a mesma situação pode ser ruim, por causa da elevação do custo de matérias-primas importadas.

Gostou de conhecer a respeito dos indicadores fundamentalistas? Compartilhe o post nas suas redes sociais e ajude seus amigos a também entender do assunto!