Juros pré ou pós-fixados são bastante utilizados nas aplicações de renda fixa, como o Certificado de Depósito Bancário (CDB). Entender como são calculadas essas duas formas de remuneração do capital é de grande valia para o investidor, já que ele precisa escolher a melhor opção conforme o cenário econômico e as próprias necessidades de rendimento.

Se o indivíduo não leva em conta esses fatores, ele deixa de aproveitar o maior potencial de ganho de cada momento, seja na alta ou na queda dos juros. Além disso, desconsiderar as formas de remuneração do dinheiro aplicado também pode fazer com que o retorno do investimento fique aquém da inflação.

Veja, em seguida, como os juros são calculados nos investimentos de renda fixa e saiba como escolher a melhor forma de remuneração.

Como é calculado o retorno na renda fixa?

Nas aplicações de renda fixa, o investidor conhece com antecedência a maneira como o dinheiro obterá retorno. Por isso, essa classe de investimentos é caracterizada pela previsibilidade e pela segurança. Tais qualidades atraem pessoas que têm perfil conservador de tolerância a risco, quer dizer, não admitem perdas no patrimônio.

Os investimentos de renda fixa são parecidos com empréstimos, nos quais uma pessoa transfere dinheiro para outra, em troca de uma taxa de juros, com a promessa de devolução do valor original e dos acréscimos depois de certo tempo.

No mercado financeiro, os “empréstimos” podem ser feitos para o governo, para as instituições bancárias ou para as empresas. Na esfera estatal, as aplicações ocorrem sob a forma de títulos públicos federais. Nos bancos, há vários tipos de ativos, como os CDBs. Já nas empresas, as debêntures são bastante utilizadas.

Seja qual for o caso, as aplicações buscam conciliar os interesses de duas partes, uma que tem dinheiro de sobra e não pode deixá-lo parado sob o ataque da inflação e outra que precisa de recursos para investimentos, financiamentos etc.

Quando escolher juros pré ou pós-fixados?

Depois de poupar certa quantia, o investidor busca uma aplicação no mercado financeiro, com o objetivo de obter algum rendimento sobre o capital.

Ao se deparar com diferentes produtos, com prazos, taxas, tributações e custos operacionais distintos, o poupador muitas vezes fica com dúvida sobre qual é a melhor opção de investimento.

Escolher um CDB com juros pré ou pós-fixados é um questionamento comum de quem ainda não está acostumado com determinados mecanismos do mercado financeiro. Se você também passa por isso, não se preocupe, pois vamos detalhar, a seguir, como as remunerações são calculadas.

Nas aplicações com juros pré-fixados, o investidor conhece de antemão qual será a rentabilidade do título adquirido. Por exemplo, se a pessoa tem R$ 1.000 para investir, a uma taxa pré-fixada de 8% ao ano, é sinal de que ela receberá R$ 80 de juros após doze meses.

Desse modo, o investidor sabe exatamente com quanto entra e com quanto sai de uma aplicação. No caso da renda fixa, é preciso considerar que há tributação de Imposto de Renda na fonte, com alíquotas regressivas que variam de 22,5% a 15% sobre o rendimento, conforme o prazo de aplicação.

Já nas aplicações cujas remunerações são calculadas por meio de juros pós-fixados, o investidor não sabe de antemão quanto receberá no resgate, mas conhece antecipadamente qual será o método que definirá a rentabilidade.

Geralmente, os investimentos de renda fixa pós-fixados são remunerados por meio da variação do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), que é a taxa aplicada aos empréstimos entre os próprios bancos. O CDI, por sinal, segue de perto a taxa Selic, que é usada pelo Banco Central (Bacen) nas operações com títulos públicos do governo.

Assim, quando você se deparar com um CDB pós-fixado, possivelmente perceberá que ele rende um percentual do CDI. Dessa maneira, o ganho do investimento será baseado na variação do indexador (índice de referência), que via de regra é o CDI, mas também pode ser a própria Selic ou, ainda, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é o indicador oficial da inflação no Brasil.

Com isso, se o indexador variar ao longo do tempo da aplicação, a rentabilidade do investimento também terá oscilação. Como você pode notar, o retorno do investimento estará diretamente ligado ao desempenho do índice de referência.

Como a taxa Selic e a inflação interferem na rentabilidade?

Não basta conhecer que há aplicações calculadas com juros pré ou pós-fixados, mas é necessário saber quando é mais vantajoso cada tipo, não é mesmo? Pois, então, os investimentos com juros pré-fixados são interessantes quando há uma expectativa de queda da taxa básica (Selic).

Desse modo, o investidor “trava” a remuneração em um patamar e, mesmo que no futuro os juros caiam, ele recebe a rentabilidade previamente acordada.

Já as aplicações com juros pós-fixados são recomendadas quando há perspectiva de aumento da taxa de juros e da inflação, uma vez que dessa forma o ganho do investidor acompanha o crescimento da Selic. Elas também são indicadas para investimentos de longo prazo, em que fica mais difícil prever o comportamento do mercado.

Vale mencionar que a taxa básica é definida pelo Banco Central e serve como referência para os juros utilizados no mercado financeiro. A Selic é muitas vezes utilizada como instrumento da política monetária do governo, seja para controlar a inflação ou para estimular a economia.

Geralmente, uma Selic alta serve para diminuir o efeito inflacionário. Afinal, com juros altos, as pessoas ficam desestimuladas a comprar e a pedir financiamentos, o que faz a demanda cair. Como consequência, as empresas precisam baixar os preços, de modo a favorecer as vendas. No fim das contas, a inflação tende a cair.

Ao contrário, quando os preços estão em níveis baixos e o governo precisa estimular a economia, ele costuma diminuir a Selic, para que os juros fiquem baixos e o crédito seja facilitado. Dessa forma, os consumidores se sentem mais seguros para fazer compras, empréstimos e financiamentos, o que faz a economia girar.

Como a Selic e a inflação estão ligadas ao desempenho das aplicações financeiras, o investidor deve ficar atento ao cenário atual e ao futuro, para tomar decisões que tragam benefícios mais tarde.

Assim, não há uma resposta final, por exemplo, sobre preferência a CDBs com juros pré ou pós-fixados, uma vez que o contexto econômico, o prazo do investimento e as necessidades do poupador são essenciais na definição da escolha certa.

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