Quanto preciso de dinheiro para investir? Essa pergunta é frequente entre as pessoas que são iniciantes em relação às aplicações financeiras.

Quem está de fora do mercado e vê as notícias sobre economia nos jornais pode achar que, para se fazer investimentos, uma grande quantia é necessária.

Contudo, na prática, não é bem assim. Como o mercado financeiro é bastante diversificado em termos de produtos e ativos, é possível encontrar aplicações para os mais variados perfis de investidores, desde aqueles que ainda têm pouco dinheiro para aplicar até quem já acumulou um valor considerável.

Para você ver como dá para começar a investir com uma pequena quantia do seu orçamento, listamos em seguida algumas aplicações que requerem poucos recursos para investir. Confira!

Caderneta de poupança

No Brasil, há uma tradição de se guardar dinheiro na famosa caderneta de poupança. Para muitas pessoas, ela é a única aplicação financeira conhecida.

Pelo de fato de poder ser aberta com qualquer valor na maioria das instituições bancárias, a caderneta se tornou um caminho mais prático para quem conseguiu economizar certa quantia.

Embora seja fácil de ser movimentada, a poupança possui como grande desvantagem a baixa rentabilidade. Em alguns anos, como em 2015, o retorno da caderneta ficou aquém da inflação, ou seja, quem investiu recursos nessa aplicação teve perda real de patrimônio, quando os juros recebidos não compensam o efeito da alta generalizada dos preços.

Mesmo com a isenção do Imposto de Renda, a rentabilidade da poupança fica entre as menores existentes no mercado financeiro. Ela só é favorável em cenários com baixa inflação e, ainda assim, com a taxa Selic relativamente alta, uma vez que o rendimento da caderneta está atrelado à taxa básica de juros da economia.

Certificado de Depósito Bancário (CDB)

Outra aplicação com muita popularidade é o Certificado de Depósito Bancário, que tem geralmente um rendimento superior ao da caderneta de poupança. No CDB, o investidor adquire um título de crédito, com remuneração que pode ser pré ou pós-fixada e com prazo de resgate previamente estipulado.

O Certificado de Depósito Bancário funciona como se fosse um empréstimo a um banco, o qual usa o dinheiro captado junto ao investidor para ofertar crédito para os clientes. Em troca, a instituição bancária oferece uma remuneração ao poupador.

No caso dos CDBs pré-fixados, o investidor conhece a taxa de juros no momento da aplicação e tem a certeza de que ela se manterá constante até o final da aplicação.

Já nos CDBs pós-fixados, a rentabilidade total só será calculada no resgate, uma vez que ela depende da variação do indexador de referência, que geralmente é o Certificado de Depósito Interbancário (CDI) — taxa usada nos empréstimos entre os bancos. Via de regra, a remuneração dos CDBs pós-fixados corresponde a um percentual do CDI no período do investimento.

Uma das vantagens do CDB é que ele requer um baixo valor para aplicação inicial. Por exemplo, com R$ 1.000 já é possível adquirir um título com uma rentabilidade maior do que a da caderneta de poupança, mesmo com tributação de IR na fonte, existente nos certificados.

Hoje em dia, com as facilidades da internet, o investidor pode aplicar em CDBs por meio dos sites ou aplicativos dos bancos, com quase nada de burocracia, já que os documentos são enviados em formato digital.

Letra de Crédito Imobiliário (LCI)

Outra aplicação muito conhecida é a LCI, que se diferencia do CDB pelo fato de que os recursos captados pelos bancos devem ser destinados prioritariamente para oferta de crédito imobiliário.

Por enquanto, mais uma distinção é o fato de não haver incidência de Imposto de Renda nas LCIs, embora por diversas vezes a possibilidade de cobrança tenha sido ventilada no governo.

De modo geral, as Letras de Crédito Imobiliário são menos disponíveis no mercado financeiro do que os CDBs, além de requererem valores iniciais um pouco maiores, conforme a instituição.

Tesouro Direto

Os títulos públicos federais constituem um tipo de aplicação que requer pouco dinheiro para investir. Nesse caso, o valor mínimo para aplicação é de R$ 30, com o qual é possível adquirir a fração de um título.

Tal investimento é realizado no Tesouro Direto, uma plataforma criada por meio de parceria entre o Tesouro Nacional e a BM&FBOVESPA.

Ao comprar títulos, o indivíduo faz um empréstimo ao governo federal, em troca de uma remuneração, que também pode ser pré ou pós-fixada, de acordo com as necessidades de quem investe.

Apesar de o valor mínimo ser baixo no Tesouro Direto, é preciso considerar a necessidade de se ter conta em uma corretora para poder fazer transações na plataforma.

Como geralmente o investidor precisa enviar recursos para a corretora de valores por meio de Transferência Eletrônica Disponível (TED), com cobrança de tarifas, nem sempre será vantajoso o investimento com valor baixo, uma vez que os custos operacionais “comerão” parte relevante da rentabilidade.

Fundos de renda fixa

Quem quer comodidade para investir tem ainda a opção de aplicar recursos num fundo de renda fixa, por meio da aquisição de cotas. Nesse caso, tal modalidade de investimento se caracteriza pela presença de um gestor profissional, que faz as transações financeiras em nome dos participantes do fundo.

É bem verdade que, nessa modalidade, no mínimo 80% do patrimônio total deve estar alocado em ativos que estejam atrelados à variação da taxa básica de juros (Selic) ou a algum índice de preços, como IPCA, que mede a inflação.

Assim, os fundos de renda fixa reúnem uma espécie de cesta de aplicações, que pode incluir títulos públicos federais, CDBs, LCIs, debêntures (títulos emitidos por empresas) etc.

Embora esse tipo de fundo seja uma forma de o investidor diversificar aplicações de renda fixa e de não precisar se envolver diretamente nas escolhas dos ativos, é importante checar se as taxas de administração não são muito altas, o que pode custar caro no final das contas.

Como há fundos de renda fixa que requerem valores iniciais entre R$ 50 e R$ 100, eventuais taxas excessivas podem tornar praticamente inviável uma rentabilidade satisfatória.

Depois de conhecer esses cinco tipos de aplicações, você agora já sabe que não precisa de muito dinheiro para investir, não é mesmo? Se quiser se aprofundar mais, confira também o nosso post sobre bancos médios: 5 motivos para investir neles.