Quando você pensa em realizar algum sonho ou objetivo financeiro, a primeira coisa que lhe vem à cabeça é guardar dinheiro. Para isso, a primeira opção buscada pela maioria dos brasileiros é a poupança. Mas você certamente gosta de pesquisar melhores opções de investimento e já deve ter ouvido falar no CDB. Surge então a dúvida: CDB ou poupança?

Há tanta informação por aí que é muito comum ficar indeciso entre as opções. Mas não se preocupe: estamos aqui para ajudá-lo.

Neste texto, você vai entender, de uma vez por todas, como cada alternativa funciona e qual a melhor para o seu bolso. Boa leitura!

Modalidades de investimento

Em primeiro lugar, você precisa saber que investir não é a mesma coisa que guardar dinheiro.

O que é um investimento

Um investimento vai além de uma simples economia de dinheiro feita para alcançar um objetivo. Investir é colocar o dinheiro para trabalhar para você. O dinheiro que fica parado no banco, além de não gerar rendimentos, corre o risco de se desvalorizar.

Investir é aplicar dinheiro em alguma modalidade de geração de renda, esperando, como contrapartida, um retorno financeiro. Tecnicamente, aplicar dinheiro na poupança pode ser considerado um investimento — apesar de não ser um dos mais atraentes, conforme explicaremos depois.

Mas guardar o dinheiro em espécie na sua casa ou deixá-lo parado na conta corrente não são formas de investir!

Geração de renda: modalidades fixa e variável

No mercado financeiro, os investimentos financeiros podem ser divididos entre:

  • renda fixa;

  • renda variável.

Esta segunda categoria, como o nome já sugere, é mais instável e arriscada. Os ganhos do investidor podem variar, e existe inclusive a possibilidade de não haver lucro nenhum. Os exemplos mais famosos são as ações. Não há garantia de rendimento, ou de quando ele virá.

Já a primeira categoria abrange investimentos como a poupança, o Tesouro Direto, o CDB, a LCI e a LCA. São investimentos que admitem certa previsibilidade em relação aos seus retornos, pois a rentabilidade é representada por um percentual ou por um índice financeiro.

Mas o mercado financeiro é extremamente dinâmico e, por isso, mesmo os investimentos mais seguros podem apresentar retornos diferentes.

Por isso, é importante entender bem sobre cada um deles.

A poupança

A caderneta de poupança é, sem dúvida, o investimento mais popular do Brasil e a porta de entrada de muita gente para o mercado financeiro.

Seu nome, inclusive, é usado como sinônimo de guardar dinheiro. Mesmo quem nem tem conta poupança em um banco costuma usar a expressão “fazer uma poupança”.

Isso vem de uma tradição de longa data: a poupança, no Brasil, foi criada pelo Imperador Dom Pedro II, ainda na época do Brasil Império. Segundo Dom Pedro, o objetivo dessa criação foi permitir às camadas mais pobres da população brasileira que pudessem ter suas próprias economias.

Foi só em 1964, mais de um século depois de sua criação, que a poupança passou a abranger a correção monetária, ou seja: a atualização dos valores guardados, para acompanhar os índices da economia brasileira e evitar que o dinheiro perdesse valor.

Características da poupança

A preferência dos brasileiros pela caderneta de poupança não acontece em função de ser uma aplicação muito atrativa. Na verdade, a poupança é uma escolha comum por causa de algumas características:

  • praticamente todos os bancos comerciais a oferecem;

  • o poupador pode sacar seu dinheiro a qualquer momento (ou seja, ela tem o atributo da liquidez);

  • geralmente, ela não exige depósito mínimo;

  • ela é isenta de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e Imposto de Renda (IR);

  • a remuneração, em qualquer instituição financeira, é sempre a mesma.

Como a poupança é remunerada?

A rentabilidade da poupança não pode ser alterada por nenhum banco, pois é definida pela legislação — conforme art. 12 da Lei 8.177/91 e art. 7 da Lei 8.660/93.

Ela é composta pela Taxa Referencial de Juros (TR) mais um adicional de 0,5% ao mês, quando a Selic estiver superior a 8,5%. Caso esteja inferior, o adicional passa a ser 70% sobre a Selic anual, calculada de forma mensal.

Outro ponto importante é a questão do aniversário da poupança: é o dia de abertura da conta. O rendimento mensal é pago na data de aniversário da aplicação, baseando-se no menor valor do período.

Ou seja: se você depositou R$ 1 mil na abertura da conta e mais R$ 5 mil dez dias depois, ao final do primeiro mês da sua poupança, o rendimento será calculado sobre R$ 1 mil.

Sobre o total, R$ 6 mil, você só terá rendimentos no próximo aniversário. E se, por exemplo, retirá-lo uma semana antes dessa data, não terá nenhuma remuneração. Resumindo: só o saldo que permanece na conta de um aniversário a outro é rentabilizado.

Como calcular a rentabilidade da poupança?

O Banco Central oferece uma ferramenta chamada de Calculadora do cidadão. Com ela, você pode calcular o rendimento da poupança para qualquer período e valor.

Vamos, a seguir, dar um exemplo prático para comparação.

Se você depositou R$ 5 mil entre 1º de janeiro e 1º de abril deste ano, seu dinheiro rendeu:

  • em 01/02: 0,5% + TR (0,1708%) = 0,6708% = R$ 5.000 + R$ 33,54 = R$ 5.033,54;

  • em 01/03: 0,5% + TR (0,0304%) = 0,5304% = R$ 5.033,54 + R$ 26,70 = R$ 5.060,24;

  • em 01/04: 0,5% + TR (0,1527%) = 0,6527% = R$ 5.060,24 + R$ 33,03 = 5.093,27.

Ou seja, seu rendimento foi de R$ 93,27.

O CDB

Boa parte dos investimentos funciona como se fosse uma espécie de empréstimo de dinheiro, em troca de uma remuneração sobre esse dinheiro.

Por exemplo: na poupança, você deixa seu dinheiro no banco e ele o usa para suas operações diárias, com a promessa de devolvê-lo com um acréscimo de juros a cada “aniversário”.

No Tesouro Direto, você “empresta” seu dinheiro ao Governo Federal para que ele financie suas ações, e em troca, ele te devolve com uma remuneração que vai depender do tipo de título que você comprou (prefixado, atrelado ao IPCA, ou atrelado à taxa SELIC).

Nas ações, você “empresta” seu dinheiro a uma empresa para que ela aumente capital para crescer, e se esse crescimento ocorrer, você é remunerado com dividendos ou pode vender a sua ação, que passa a ser mais cara.

O Certificado de Depósito Bancário (CDB) também segue essa lógica, com a diferença de que ocorre com instituições financeiras privadas. Ele é um título de crédito emitido pelas instituições financeiras para levantar capital para suas operações.

De forma simples, ao adquirir um CDB, é como se o investidor emprestasse dinheiro ao banco e, por isso, recebesse um pagamento negociado por ocasião da contratação.

As características do CDB

O CDB é um título de renda fixa, considerado seguro, e que tem proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) em aplicações de até R$ 250.000,00 por CPF/CNPJ e por instituição financeira.

Sobre os rendimentos do CDB, incidem:

  • IOF, para saques com menos de 30 dias da aplicação. A tabela é regressiva, indo de 96% de IOF quando o dinheiro passa apenas um dia aplicado a 3%, quando permanece por 29 dias;

  • IR, também de forma regressiva, sendo:

    • 22,5% — para aplicações de até 180 dias;

    • 20% — entre 181 e 360 dias;

    • 17,5% — entre 361 e 720 dias;

    • 15% — acima de 720 dias.

Em resumo, quanto maior o tempo de aplicação, melhor. Geralmente, aqueles com um prazo mínimo de aplicação oferecem rentabilidade melhor. Se você precisar resgatar seu investimento antes do vencimento, pode perder total ou parcialmente a rentabilidade acumulada.

Como o CDB é remunerado?

Diferentemente da poupança, a remuneração do CDB varia conforme o tipo de aplicação e a instituição financeira. Há três modalidades de CDBs:

Pós-fixados, atrelados ao CDI

O Certificado de Depósito Interbancário (CDI) são títulos negociados exclusivamente entre bancos, também para levantar recursos.

A taxa DI é a média dos juros praticados nesses empréstimos interbancários, calculada pela Central de Custódia e Liquidação Financeira de Títulos Privados (CETIP), que registra, custodia e liquida todos os títulos privados negociados entre bancos.

Assim, enquanto a taxa Selic serve para medir “o preço do dinheiro” nos títulos públicos, a taxa DI faz o mesmo para os títulos privados.

Dessa forma, cada banco oferece um percentual do CDI como remuneração de seus CDBs — 90%, 100% ou 110%, por exemplo. Bancos menores costumam ter taxas e condições melhores, pois estão sempre buscando atrair mais investidores, ao contrário dos grandes bancos de varejo.

Indexados à inflação

Esses CDBs acompanham índices de preço e contam com um percentual fixo de rendimento. Por exemplo, quando se diz que a rentabilidade é IPCA + 4%, isso significa que a remuneração é dada pelo IPCA do período somado a uma taxa fixa de 4%.

Prefixados

Aqui, as taxas são fixas, definidas na contratação. Ou seja: se a taxa contratual for de 9%, ao ano, significa que esse será seu rendimento ao final do período, independentemente da inflação ou do CDI.

Como calcular a rentabilidade do CDB?

De forma geral, é preciso calcular a rentabilidade negociada e descontar IOF e IR, conforme o caso.

Por exemplo, R$ 5 mil aplicados em um CDB a 100% do CDI no mesmo período que usamos para exemplificar a poupança renderam:

  • R$ 56,66 em 01/02 (CDI: 1,1332%);

  • R$ 43,54 em 01/03, sobre o saldo acumulado (CDI: 0,8611%);

  • R$ 48,89 em 01/04, sobre o saldo acumulado (CDI: 0,9586%).

O saldo final seria R$ 5.148,98. Esse valor não teria desconto de IOF, mas os rendimentos seriam taxados em 22,5% — ou seja, dos R$ 148,98, seriam descontados R$ 33,52 e o saldo líquido ficaria em R$ 5.115,46.

A segurança dos dois investimentos

Tanto a poupança quanto o CDB oferecem a mesma proteção: o Fundo Garantidor de Crédito (FGC)garante, para cada investidor, o limite de R$ 250 mil em caso de intervenção, liquidação ou falência da instituição financeira.

Vale lembrar que esse valor é o total por CPF e por instituição, ou seja: ele é único para todas as suas aplicações protegidas dentro de cada banco. Por exemplo:

  • se você tem R$ 100 mil em CDB e R$ 30 mil em poupança, são garantidos R$ 130 mil;

  • caso possua R$ 200 mil em CDB e R$ 100 mil em poupança, são garantidos R$ 250 mil, que é o teto.

A melhor escolha: CDB ou poupança

A escolha do melhor investimento vai variar conforme as condições contratadas e o prazo de aplicação. Mas, em geral, ao analisarmos investimentos, é importante prestar atenção em três aspectos (considerados o tripé dos investimentos):

  • segurança;

  • liquidez;

  • rentabilidade.

Assim, para decidir entre CDB ou poupança, podemos comparar os dois investimentos da seguinte forma:

  • segurança: empate, como falamos no item anterior;

  • liquidez: a poupança ganha, pois o dinheiro pode ser resgatado a qualquer momento;

  • rentabilidade: o CDB ganha disparado, pois oferece maiores chances de rentabilidade, especialmente se o investidor souber escolher um bom CDB que ofereça pelo menos 100% do CDI.

Veja que na simulação que fizemos, mesmo em um período pequeno, o CDB ficou na frente. Como você pôde perceber anteriormente, a poupança é remunerada com a mesma taxa há décadas! É um investimento extremamente tradicional, conservador e, infelizmente, pouquíssimo rentável.

Já o CDB costuma apresentar rentabilidade maior que a poupança. É, com certeza, um investimento mais atraente, mas que não deixa de ter a segurança prezada por quem tem metas financeiras claras para médio e longo prazo, ou por quem não pretende arriscar seu patrimônio — confira nosso vídeo que explica como funciona o CDB.

 

CDB-vs.-Poupança---Veja-o-que-faz-seu-dinheiro-valer-mais

 

A forma de escolher o melhor CDB

Nós já adiantamos uma dica sobre o CDB no item anterior: os melhores são aqueles que oferecem pelo menos 100% da liquidez do CDI.

Esse tipo de CDB pode ser encontrado em instituições financeiras de pequeno e médio porte. Elas têm melhores condições que oferecem bons produtos, ao contrário dos grandes bancos, que disponibilizam produtos mais caros justamente porque têm toda uma estrutura gigantesca para financiar.

Fique atento também ao prazo do seu CDB. Como dissemos, quanto maior o prazo que você deixar seu dinheiro rendendo, melhor. Além disso, em alguns casos, você pode perder dinheiro se resgatá-lo antes do prazo acertado. Certifique-se de que poderá esperar pelo prazo específico do CDB escolhido sem “mexer” no dinheiro.

O Paraná Banco oferece um simulador de investimento online, no qual você pode calcular quanto seu CDB poderá render. Faça uma simulação agora mesmo, tire suas dúvidas entre CDB ou poupança e garanta a melhor escolha para o seu dinheiro, afinal ele é fruto dos seus esforços e sua garantia de futuro!