Que a renda fixa tem possibilidades mais interessantes que o Tesouro Direto, você já deve saber. Mas entre elas, qual seria melhor: CDB ou LCI? Esses investimentos são ligeiramente parecidos, mas na prática, têm diferenças que podem impactar bastante nas possibilidades e estratégias do investidor. É preciso entender como cada um funciona.

Tem dúvidas? Nesse post, vamos responder as principais perguntas sobre os pontos em comum e as diferenças do CDB e da LCI. Também vamos explicar o que é preciso levar em consideração para escolher entre um desses investimentos. Acompanhe e entenda!

O que é CDB?

De forma bem simples: o CDB, ou Certificado de Depósito Bancário, é um ativo que você adquire diretamente com uma instituição bancária, pagando uma quantia que ficará em poder dela por um determinado prazo. Ao fim desse prazo, você recebe seu dinheiro de volta com o acréscimo de uma taxa prefixada ou atrelada a algum índice financeiro.

Essa taxa é a remuneração do banco pelo dinheiro que você o “emprestou” para que ele mantivesse suas operações durante o prazo de duração do CDB.

O que é LCI?

A LCI, ou Letra de Crédito Imobiliário, também é um ativo que funciona segundo a lógica de empréstimo de dinheiro com devolução acrescida de uma taxa. O que diferencia esse investimento do CDB é que, no caso da LCI, seu dinheiro será usado para que o banco faça investimentos no mercado imobiliário.

Então, a diferença é só a finalidade do banco ao usar meu dinheiro?

Na verdade, não! O uso que o banco faz do seu dinheiro é a principal diferença entre CDB e LCI, na teoria. Mas, na prática, precisamos saber que diferença isso faz para você, e não para o banco, certo? 

Então vamos lá!

CDB ou LCI: diferenças

Liquidez e prazo para resgate

O CDB apresenta liquidez diária. A LCI, nem sempre. Ao investir na LCI, é preciso estar ciente que não haverá a esperada rentabilidade se o dinheiro for resgatado antes do prazo contratado (isso se for possível resgatá-lo). Muitas LCIs sequer apresentam essa possibilidade; ou, quando apresentam, é condicionada a uma carência.

Remuneração

Teoricamente, não há diferença no modo como o CDB e a LCI remuneram o investidor: o dinheiro é acrescido de uma taxa, que pode ser predeterminada ou pode ser a variação do IPCA (índice que mede a inflação no Brasil) ou SELIC (taxa de juros no Brasil).

Também é comum que essa taxa seja o CDI (Certificado de Depósito Interbancário), que é a taxa de juros básica utilizada em transações bancárias. 

A diferença estará nos produtos disponíveis no mercado. Por exemplo: você pode encontrar um banco que vende CDBs que rendem só 80% do CDI; e pode encontrar um banco vendendo um CDB que rende 110% do CDI. Por isso, é fundamental pesquisar as opções disponíveis.

Tributação

Um ponto diferenciador é que, no CDB, incide imposto de renda; e na LCI, não incide, se o investidor for pessoa física. Entretanto, a tributação do CDB é regressiva, veja:

  • se o prazo de resgate contratado for superior a 720 dias, a alíquota do IR é 15%;
  • para resgates inferiores a 720 dias, mas superiores a 361, o desconto é de 17,5%.
  • para resgates inferiores a 361 dias, mas superiores a 181, o desconto é de 20%;
  • por fim, para resgates de até 180 dias, o desconto é o maior: 22,5%.

Ou seja: quanto mais tarde for retirado o dinheiro, menor a alíquota de IR, e mais o investidor sai ganhando.

CDB ou LCI: semelhanças

Agora, vamos ver os pontos em que esses dois investimentos podem ficar empatados na nossa comparação:

Baixo risco

O grau de segurança de ambos é o mesmo. Tanto o CDB quanto a LCI são garantidos pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito) em aplicações de até R$250.000,00 por CPF e por instituição financeira, até o limite de R$1 milhão, a cada período de quatro anos consecutivos.

Isso significa que mesmo se o banco emissor do CDB ou da LCI falirem ou fecharem as portas, o investidor não ficará sem o retorno do seu investimento. O pagamento feito pelo Fundo pode não ser imediato, respeitando a data contratada, mas, mesmo assim, é garantido.

Prazo máximo

CDBs e LCIs são vendidos com diversas possibilidades de prazo para resgate. O investidor é quem escolhe ao adquiri-los. 

O que é importante saber é que a rentabilidade é proporcional à duração. Quanto mais tempo o dinheiro for deixado rendendo, obviamente, maiores serão seus ganhos. Isso vale para qualquer investimento: o longo prazo é sempre um melhor remunerador. 

Além disso, no caso do CDB, aqui vale o que foi dito acima sobre a tributação: quanto maior o prazo a ser esperado para resgate da aplicação, menor o imposto. 

Afinal, qual é o melhor: CDB ou LCI?

Existem boas chances de ganho com CDBs e LCIs. Tudo vai depender dos produtos encontrados no mercado.

Em alguns casos, mesmo considerando o desconto do imposto de renda, um CDB pode render mais que uma LCI. A ausência de tributação às vezes é um fator muito sedutor na hora de escolher o investimento, mas em alguns casos ela pode não representar tanto benefício assim. 

Comparação hipotética 

Tenha como exemplo um CDB que rende 100% do CDI (índice que é considerado como um bom investimento). Resgatando-o após 720 dias, após o desconto do IR (que seria de 15%), ele renderia o mesmo que uma LCI à base de 85% do CDI. Com isso, você pode perceber que a comparação da rentabilidade dos dois é feita com base no valor do CDI do CDB descontado do IR, com o valor do CDI da LCI.

Digamos que, com base nessa suposição, você pesquise e encontre um CDB a 95% e uma LCI a 80%. Se o CDB for resgatado com a menor alíquota de IR possível, que é a de 15% (o que significa que o CDB deverá ser resgatado após no mínimo 720 dias), então os dois investimentos são equivalentes, certo? Assim, você decide comprar a LCI.

Porém, vamos supor que, dez meses após o seu investimento, houve um imprevisto muito grave na sua vida. Não teve jeito: você foi até o banco para resgatar o investimento feito na LCI, mesmo sabendo que o prazo final contratado ainda estava longe de vencer. 

Então, veio a decepção: seu dinheiro sofreu perdas. Devido à ausência de liquidez diária, você teve de volta menos do que investiu. É possível, inclusive, que esse resgate nem tenha sido suficiente para cobrir as despesas da sua situação imprevista.

Com o CDB de 95% do CDI, descontando o IR (que seria de 20% nesse caso), o rendimento teria sido o mesmo que você teria se resgatasse a LCI na data aprazada. 

Viu como os detalhes do caso concreto podem acabar derrubando as aparentes vantagens de alguns investimentos?

Além disso, é importante destacar que o cenário acima é imaginado para um investidor pessoa física. Digamos que o investimento está sendo feito para compor a carteira de ativos de uma empresa. Nesse caso, a LCI também deixa de ser interessante, pois não é isenta de imposto de renda para pessoas jurídicas. 

Então, como devo escolher?

Analise os dados dos investimentos disponíveis no mercado: rentabilidade, prazo de resgate, tributação e todos os demais; mas também tenha em mente que a escolha do melhor investimento vai depender dos seus objetivos financeiros.

Se o título adquirido será usado para financiar um evento ou situação específica (viagem, festa de formatura, aposentadoria), por exemplo, isso significa que o investidor deve estar disposto a esperar o seu resgate na data contratada. A rentabilidade será o fator mais relevante para se considerar, nesse caso. 

Mas se o investidor está montando um fundo de reservas para emergência, é importante que escolha um investimento com liquidez diária e que possa ser resgatado a qualquer momento. Lembre-se da história que contamos anteriormente, como exemplo para entender como o risco de perdas pode sabotar sua estratégia. 

Viu só como são vários os fatores que precisam ser considerados?

Agora que você entendeu as principais diferenças e semelhanças e tirou suas dúvidas sobre CDB ou LCI, se quiser entender o que elas representam para aquele dinheiro que você tem guardado, use o nosso simulador de investimento para saber quando ele renderia ao investir em um CDB do Paraná Banco.