Saber fazer análises de investimentos antes de aplicar, de fato, dinheiro em determinado ativo é uma habilidade valiosa. Se para fazer a compra de um bem de consumo, como smartphones, geladeiras ou automóveis, as pessoas costumam fazer uma pesquisa detalhada anteriormente, na hora de investir o mesmo tipo de cuidado deve ser tomado.

Você já ouviu falar em custo de oportunidade? Tal conceito traz a ideia de algo do qual se abriu mão em troca de certa escolha. Por exemplo, vamos supor que você precisa se decidir entre a opção A e a opção B, mas bateu o martelo em favor da primeira alternativa. Assim, o custo de oportunidade passa a ser a segunda possibilidade, ou seja, o caminho não seguido.

No universo do mercado financeiro, é bastante útil comparar os ativos para se tomar a decisão mais adequada. Confira, a seguir, alguns dos métodos mais adequados para realizar análises de investimentos!

Payback

Quando uma pessoa decide fazer uma aplicação financeira, ela deve ter a consciência de que precisará deixar o dinheiro parado por certo período. Logo, na hora de se decidir entre uma aplicação ou outra, é importante conhecer o prazo em que o investimento vai “se pagar”. Para tanto, o payback é um método bastante usado nesse tipo de avaliação.

Por exemplo, vamos supor que o ativo A proporciona uma taxa de retorno de 7% ao ano. Logo, quem aplica R$1.000, obtém um ganho bruto de R$70. Já o investimento B tem rentabilidade de 10% ano. Na mesma condição anterior, o ganho seria de R$100. E quanto ao payback?

No primeiro caso, se dividirmos os R$1.000 por R$70, vamos perceber que demora cerca de 14,3 anos para o investidor obter de volta o capital inicial alocado na aplicação. Já na segunda situação, o payback seria de 10 anos. Como você pode notar, seria mais vantajoso aplicar no investimento B, já que a pessoa conseguiria pegar o dinheiro de volta em menos tempo.

Note que o exemplo citado aqui apresenta somente valores brutos. No entanto, na hora de fazer análises de investimentos, você deve levar em conta a tributação e os custos operacionais. Afinal, enquanto um CDB sofre cobrança de Imposto de Renda por meio de uma tabela regressiva, as LCI e LCA são isentas desse tipo de tributo. Logo, ao compará-los, o investidor deve considerar esses aspectos.

Numa linguagem mais técnica, os ganhos periódicos dos investimentos são chamados de fluxos de caixa. Então, o payback avalia o tempo necessário para que esses fluxos somados (em valores líquidos) recuperem a quantia inicialmente aplicada.

Como na renda fixa há maior previsibilidade de retornos, o cálculo do payback se torna um pouco mais fácil do que na renda variável, em que não há garantia de se obter rendimento constante.

Agora você já sabe que não deve se questionar apenas sobre o que é rentabilidade, o que são ações financeiras ou como investir na bolsa de valores. Na verdade, também é preciso avaliar o prazo de recuperação dos investimentos. Afinal, se esse período for muito longo, é sinal de que a sua disponibilidade de recursos ficará prejudicada por um bom tempo.

Valor presente líquido (VPL)

O método do valor presente líquido (VPL) também é muito utilizado quando se trata de fazer análises de investimentos. Nesse caso, a ideia é comparar o valor do dinheiro ao longo do tempo. Afinal, como você talvez já saiba, a inflação contribui para diminuir o poder de compra da moeda. Assim, R$5 mil daqui a 5 anos não valem a mesma coisa hoje.

Lembra a ideia de fluxo de caixa que citamos antes? Então, com o cálculo do VPL o propósito é justamente trazer esses ganhos do futuro para o presente e, então, compará-los com o investimento inicial. Com isso, a pessoa pode tomar a decisão de aplicar o dinheiro ou não, mas sem precisar testar as aplicações por meio do método de tentativa e erro.

E como calcular o valor presente líquido? Para tanto, você precisa da seguinte fórmula:

VPL = Σ FCn / (1+i)n

Pareceu complicado? Não se preocupe, pois vamos explicar. Na verdade, a fórmula do valor presente líquido considera a soma dos fluxos de caixa futuros (FC), em “n” períodos, como meses, anos etc., além de levar em conta uma taxa de juros (i), também conhecida como taxa de oportunidade.

Vamos agora a um exemplo prático. Suponha que você pretende aplicar R$5.000 num período de cinco anos, com uma taxa de retorno de 10%. Nesse caso, o ganho seria de R$500 por ano. Como você deve saber, em todo investimento há algum tipo de risco, por menor que seja. Então, para encontrar o VPL, é preciso comprar os fluxos de caixa futuros com uma taxa de oportunidade.

Você já se questionou sobre o que é a Selic? Na verdade, trata-se da taxa básica de juros, definida pelo Banco Central e que serve de referência para as demais taxas cobradas no mercado financeiro. Então, vamos usá-la aqui como a taxa de oportunidade do cálculo do VPL, com o valor de 6,5% ano ou 0,065 na forma decimal.

Veja, em seguida, a aplicação da fórmula a cada ano.

Ano 1 VPL = 500 / (1+0,065)1 = 469,48

Ano 2 VPL = 500 / (1+0,065)2 = 440,83

Ano 3 VPL = 500 / (1+0,065)3 = 413,92

Ano 4 VPL = 500 / (1+0,065)4 = 388,66

Ano 5 VPL = 500 / (1+0,065)5 = 364,94

Como você pode notar, cada resultado é uma forma de trazer os R$500 de ganho do futuro para o presente.

Em seguida, ao somamos os VPL de cada ano, chegaremos ao resultado de R$2.077,83. E agora, o que fazer? Na verdade, você precisa comparar o valor encontrado com o capital inicial do investimento. Na prática, subtrai-se do VPL a quantia que se pretende aplicar. No exemplo dado, teríamos: R$2.077,83 – R$5.000,00 = R$ -2.922,17.

Assim, se o resultado dessa conta for maior do que 0, o investimento é vantajoso, uma vez que os fluxos de caixa serão maiores do que o capital inicial. Caso o cálculo dê negativo, é sinal de não vale a pena investir. Na hipótese de o resultado for exatamente 0, os fluxos de caixa só servem para cobrir o valor inicial da aplicação.

Como algumas aplicações do mercado financeiro são bastante customizáveis, como é o caso do Certificado de Depósito Bancário (CDB), é interessante que você faça várias simulações de prazo, valor inicial e taxa de retorno da aplicação, para encontrar a condição mais vantajosa para a sua realidade.  

Como você pôde notar, fazer análises de investimentos é de grande importância para se avaliar o custo oportunidade das aplicações. Com isso, você evita colocar dinheiro em um investimento em que vai demorar para receber de volta o capital inicial.

Quer aprender mais sobre como avaliar ativos? Leia, então, o nosso post sobre a análise fundamentalista de ações.