O Tesouro Direto vem ganhando cada vez mais popularidade. Há quem chame, inclusive, essa opção de aplicação de “nova poupança”. Mas, afinal, vale a pena?

No post de hoje, falaremos um pouco mais sobre esse investimento e como ele funciona, bem como apresentar alternativas a ele. Continue lendo!

O que é Tesouro Direto?

O governo brasileiro gasta mais do que arrecada com a cobrança de impostos, apesar da alta carga tributária. Por isso, ele precisa recorrer ao crédito para fechar as contas (ou, pelo menos, diminuir o rombo no orçamento) e custear as atividades do Estado, como saúde, educação, programas sociais e muitas outras.

Uma maneira que o Estado tem de pegar dinheiro emprestado é por meio da emissão de títulos da dívida pública. Eles são vendidos, o dinheiro vai para o caixa público, e há o compromisso de recomprá-los depois de um período por um valor maior, isto é, acrescido de juros.

Grande parte dos títulos públicos são comprados por fundos de investimento, fundos previdenciários e bancos. Pessoas físicas também pode comprar esses ativos como forma de investimento por meio do Tesouro Direto.

O Tesouro Direto é um programa da Tesouro Nacional em parceria com a B3 (antiga BM&FBovespa, a Bolsa de Valores de São Paulo) para venda de títulos da dívida pública a pequenos investidores. Ele permite que qualquer um possa aplicar usando a internet, com a intermediação de uma corretora de valores.

Nessa plataforma, é possível comprar títulos inteiros ou frações, sendo a menor delas de um centésimo (0,01 título), desde que o valor do investimento seja de, no mínimo, R$ 30. Há opções de papéis com remuneração prefixada, atrelada a taxas de juros ou a índices de inflação.

Rendimento

Como dissemos, há basicamente 3 tipos de títulos, cada um com uma forma de cálculo do rendimento diferente.

O Tesouro Selic é o que tem o funcionamento mais simples. Seu valor é corrigido diariamente pela Selic, a taxa básica de juros do Brasil. Sendo assim, sua aplicação cresce um pouquinho todo dia.

Já o Tesouro Prefixado oferece uma rentabilidade fechada em forma de porcentagem anualizada: 8% ao ano, por exemplo. Quanto maior a taxa oferecida, menor o preço cobrado pelo título no momento do investimento, e vice-versa.

Por fim, há o Tesouro IPCA+, cuja rentabilidade segue a inflação e é acrescida de uma porcentagem fixa: IPCA + 4%. Isso garante um rendimento maior que a alta dos preços, o que protege o poder de compra.

Riscos

Todo investimento envolve principalmente três tipos de riscos: de crédito, de mercado e de liquidez.

No Tesouro Direto, o risco de crédito — possibilidade de tomar um calote do devedor — é praticamente nulo. O governo brasileiro vem honrando suas dívidas nas últimas décadas, e mesmo em situações-limite, ele pode imprimir mais dinheiro.

O risco de mercado é o nome dado à possibilidade de perder dinheiro pela desvalorização dos ativos devido a questões da conjuntura econômica. Ele é diferente em cada um dos títulos.

No Tesouro Selic, ele é praticamente nulo, pois o valor investido será corrigido diariamente de acordo com a taxa de juros. Na pior das hipóteses, que é uma queda na Selic, o investidor verá seu dinheiro crescendo mais lentamente, mas o valor investido não diminui.

Já no Tesouro Prefixado e no Tesouro IPCA+, as taxas oferecidas (os percentuais fixos de que falamos, lembra?) oscilam de acordo com as projeções para os juros futuros, o que faz com que os preços dos títulos também subam e desçam. Esse mecanismo é conhecido com marcação a mercado.

Se há uma tendência de alta dos juros, a porcentagem oferecida nos títulos prefixados e atrelados à inflação sobe, o que faz com que o valor desses títulos caia. Quem já investiu, portanto, pode ver seu saldo ter uma leve queda.

De forma semelhante, uma tendência de queda dos juros faz com que os valores subam, podendo resultar até mesmo em rentabilidades maiores que a contratada.

Em ambos os casos, essas rentabilidades maiores ou menores só se concretizam se for feito o resgate antecipado. Caso o investidor mantenha sua posição até o vencimento, a rentabilidade é aquela que foi contratada, sem surpresas.

Por fim, há o risco de liquidez. Liquidez é o nome dado à possibilidade de converter um ativo em moeda sem perder seu valor. Em termos mais simples, é a facilidade de resgatar. O risco de liquidez, portanto, é a possibilidade de perder dinheiro caso seja necessário reaver o dinheiro investido antes do prazo.

Todos os títulos do Tesouro Direto permitem o resgate antecipado, já que o Tesouro Nacional garante a recompra dos títulos a qualquer momento.

No entanto, como dissemos, os títulos prefixados e atrelados à inflação acompanham as projeções das taxas de juros.

Por isso, é preciso mais cuidado ao resgatá-los antecipadamente, pois pode haver rentabilidades negativas nesse momento. A recomendação, portanto, é não concentrar seus investimentos nesses dois títulos.

Já o Tesouro Selic está praticamente livre desse risco, pois seu valor é atualizado diariamente. A única forma de perder dinheiro nele é fazendo um investimento de curtíssimo prazo, pois existe um spread, como é chamada a diferença nos preços de compra e venda em um mesmo dia.

Custos e impostos

O investimento no Tesouro Direto envolve alguns custos e impostos. A B3, responsável pela guarda dos títulos, cobra taxa de custódia de 0,3% ao ano sobre o valor investido, dividido em duas parcelas semestrais.

Já as corretoras podem cobrar uma taxa de administração. Algumas vêm adotando a política de isentar essa cobrança e praticando taxa zero, enquanto em outras a cobrança chega a 2% ao ano.

O investimento também sofre incidência de impostos de acordo com a tabela regressiva da renda fixa:

  • IR, entre 22,5% e 15% sobre o lucro, de acordo com o tempo de aplicação;

  • IOF, entre 96% e 0% sobre o lucro, nos resgates feitos em menos de 30 dias.

Vale a pena investir em Tesouro Direto?

Não dá para negar que o Tesouro Direto é um investimento interessante, pois é bastante acessível e oferece boa rentabilidade.

Entretanto, há opções ainda melhores, como os Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) de bancos médios. Esses títulos privados de crédito funcionam de forma parecida com o investimento em títulos públicos e trazem vantagens adicionais.

Ao investir em um CDB, você também está emprestando dinheiro (nesse caso, para um banco ou instituição financeira) para receber mais tarde com juros.

Títulos de bancos de médio porte oferecem rentabilidades maiores que a do Tesouro Direto como forma de atrair recursos e clientes, oferecendo juros superiores à Selic.

O risco de crédito não é um problema, pois há a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos, que assegura investimentos feitos até o limite de R$ 250 mil por CPF em cada instituição financeira. Caso o banco venha a ser liquidado, o FGC entra em cena para ressarcir os clientes.

Além disso, o investimento em CDB não possui taxas, e há opções que oferecem liquidez diária para quem quer ter a possibilidade de resgatar seu dinheiro a qualquer momento.

Agora você conhece melhor sobre o Tesouro Direto, suas vantagens e desvantagens. Gostou do texto? Assine a newsletter do blog do Paraná Banco e receba nossos posts em sua caixa de e-mail!