As regras do INSS estão mudando e uma dúvida ronda a mente de milhões de brasileiros: como se aposentar com segurança? Um ponto é certo: depender do governo deve ser o plano alternativo. Por isso, chegou o momento de repensar sua situação e começar a considerar outras possibilidades.

Esse é o foco deste artigo. Aqui, vamos apresentar as principais informações relativas a esse assunto, como:

  • quais são as novas regras da aposentadoria;

  • como fazer um pé-de-meia;

  • por que escolher investimentos de renda fixa.

A partir desse conhecimento ficará mais fácil encontrar o caminho para a tranquilidade e o conforto na terceira idade.

É o que deseja? Então confira as informações que traremos a partir das perguntas a seguir. A primeira delas é:

Quais são as novas regras da aposentadoria?

A Reforma da Previdência vem sendo amplamente discutida no Congresso Nacional. Desde 2016, a proposta é debatida entre os parlamentares e muitas mudanças foram aplicadas.

No entanto, agora o texto está próximo de sua versão final e a expectativa é que a votação sobre o assunto seja feita em fevereiro de 2018.

Ainda assim muitas dúvidas surgem quando se começa a falar sobre as opções para garantir a aposentadoria. É por isso que reunimos os principais questionamentos e trazemos a explicação a seguir:

Com quantos anos se aposenta?

Essa questão ainda está em aberto. A regra deve ser de 62 anos para mulheres e 65 anos para homens. No entanto, em novembro de 2017, o governo apresentou uma nova proposta. Ela divide a aposentadoria de acordo com o setor em que o trabalhador está, ou seja, público e privado. Além disso, as mudanças começam a valer em 2018 e vão até 2038.

Veja como ficará a idade de aposentadoria para servidores públicos:

  • 2018 — 55 anos para mulheres e 60 anos para homens;

  • 2020 — 56 anos para mulheres e 61 anos para homens;

  • 2022 — 57 anos para mulheres e 62 anos para homens;

  • 2024 — 58 anos para mulheres e 63 anos para homens;

  • 2026 — 59 anos para mulheres e 64 anos para homens;

  • 2028 — 60 anos para mulheres e 65 anos para homens;

  • 2030 — 61 anos para mulheres e 65 anos para homens;

  • a partir de 2032 — permanece sempre 62 anos para mulheres e 65 anos para homens.

É importante saber que professores e policiais vão participar de normas específicas. Para essas duas profissões a transição da aposentadoria finalizará somente em 2042. Agora entenda como será para os trabalhadores da iniciativa privada:

  • 2018 — 53 anos para mulheres e 55 anos para homens;

  • 2020 — 54 anos para mulheres e 56 anos para homens;

  • 2022 — 55 anos para mulheres e 57 anos para homens;

  • 2024 — 56 anos para mulheres e 58 anos para homens;

  • 2026 — 57 anos para mulheres e 59 anos para homens;

  • 2028 — 58 anos para mulheres e 60 anos para homens;

  • 2030 — 59 anos para mulheres e 61 anos para homens;

  • 2032 — 60 anos para mulheres e 62 anos para homens;

  • 2034 — 61 anos para mulheres e 63 anos para homens;

  • 2036 — 62 anos para mulheres e 64 anos para homens;

  • 2038 — 62 anos para mulheres e 65 anos para homens.

Como aposentar por tempo de serviço?

Essa é uma dúvida importante, porque até então havia essa possibilidade. A partir da aprovação da Reforma da Previdência será impossível se aposentar por tempo de serviço.

As exceções serão as pessoas que se encaixam na chamada regra de transição, essa apresentada anteriormente, que é válida até 2038.

Mesmo assim esses contribuintes terão que pagar um “pedágio”. O valor será calculado como 30% sobre o período que falta para alcançar 30 anos de pagamento do INSS para mulheres e 35 anos para homens.

Para entender mais facilmente imagine que tem 50 anos de idade e contribui há 25 anos. Nesse caso, será preciso pagar 30% sobre os 5 anos que faltam. Na prática isso significa trabalhar por mais 6 anos e 6 meses (5 + 1,6, equivalente aos 30%).

Como saber se posso me aposentar?

A aprovação da Reforma da Previdência será benéfica para algumas pessoas, especialmente aquelas que possuem pouco tempo de contribuição.

Como será impossível se aposentar por tempo de serviço, a regra que valerá será a idade — e é esse aspecto que você deve observar para saber se já pode deixar de trabalhar.

Por isso, se tiver 62 anos e for mulher, ou 65 anos e for homem, pode ir em frente. Pelas diretrizes antes da Reforma da Previdência a idade exigida era de 60 anos para mulheres e 65 para homens.

Ainda existe uma regrinha específica para a transição exclusivamente no caso das mulheres: ficaria em 61 anos em 2021 e 62 a partir de 2022. De toda forma, ainda seria obrigatório ter 15 anos de contribuição.

Qual o valor do benefício?

A aposentadoria com 15 anos de contribuição gerará um benefício parcial, relativo a 60% da média dos valores pagos. Com mais 5 anos de pagamento do INSS o montante aumenta, mas só será integral a partir de 40 anos trabalhados. Isso significa que um homem com 55 anos e 33 de contribuição precisa se manter no emprego até os 62 anos para ter a aposentadoria sem descontos.

Como você pôde perceber há muitas regras novas e que precisam ser consideradas. É por isso que se torna cada vez mais interessante saber como se aposentar pelo INSS e quais outras opções são válidas. Dessa maneira, você garante o futuro financeiro da família e sua tranquilidade.

Como fazer seu pé-de-meia?

A segurança da aposentadoria não precisa ser deixada de lado. Mesmo com as mudanças a serem implementadas em breve, você tem a chance de começar a formar uma reserva para o futuro.

Por isso, a primeira dica importante é: nunca confie no INSS. Afinal, os dados oficiais do Planalto indicam que o rombo nas contas foi de R$ 149,7 bilhões em 2016. A expectativa é que chegue a R$ 188,8 bilhões em 2017 e a R$ 202,2 bilhões em 2018.

A justificativa é o envelhecimento da população brasileira, que faz com que haja menos pessoas ativas e que pagam a Previdência, e mais aposentados. A previsão é que essa situação se agrave com o passar dos anos, o que comprova a necessidade de você pensar no chamado plano B.

Para isso é preciso começar o seu pé-de-meia seguindo algumas dicas:

Guarde dinheiro

Essa atitude deve começar agora mesmo, porque é a partir dela que você poderá se aposentar sem depender do INSS. O economista Fábio Fusco indica a seguinte regra de economia:

  • 10% da renda se você tem entre 20 e 30 anos;

  • 15% caso já tenha entre 30 e 40 anos;

  • 20% se ultrapassar o último limite de idade.

Perceba que essa diretriz ajuda a complementar a aposentadoria. No entanto, você tem uma tranquilidade maior se conseguir poupar uma quantia mais elevada. Uma parte desse montante pode servir para imprevistos.

É o chamado fundo de emergência, que deve corresponder a, pelo menos, 5 meses das despesas fixas. Ou seja, se gasta R$ 3 mil mensalmente, guarde R$ 15 mil no mínimo.

Reveja suas despesas

A reserva de 10% a 20% da renda pode parecer impossível na sua situação financeira atual. Mas uma análise aprofundada nas suas despesas pode indicar muitos pontos passíveis de eliminação.

Por exemplo, pela troca do pacote de TV a cabo, do plano de celular, substituição dos passeios pagos por gratuitos, redução dos gastos com entretenimento e por aí vai.

Também há outras despesas maiores que podem ser revistas, até mesmo algumas que você ainda pretende fazer. Avalie se o seu orçamento suporta um apartamento de 3 quartos, por exemplo, ou se é melhor optar por um imóvel um pouco menor.

Defina objetivos

Esse é um passo fundamental para delinear seu planejamento financeiro. No caso, a meta final é a aposentadoria. No entanto, você precisa ir além e pensar sobre diferentes aspectos, como quando espera se aposentar.

Lembre-se de evitar a decisão por impulso. Alguns anos a mais de trabalho podem ser importantes para reunir a soma que deseja.

Saiba quanto precisará juntar para o futuro

A melhor ideia para esse cálculo é prever qual será seu padrão de gastos na terceira idade. É claro que essa é apenas uma previsão, mas é importante imaginar como será.

Afinal, algumas despesas vão reduzir — como aquelas relativas aos filhos — e outras aumentarão, por exemplo, as referentes à saúde. Faça essa consideração assumindo que viverá até os 90 anos, pelo menos.

A partir dessa quantia total você pode calcular quanto precisará poupar mensalmente. Nesse momento, é preciso realizar uma projeção do retorno para o dinheiro a ser investido. O recomendado é considerar uma rentabilidade de até 5% superior à inflação.

Coloque o planejamento em prática

A economia deve começar o mais cedo possível. Quanto antes, melhor. Aproveite e reveja o planejamento com certa frequência.

Esse monitoramento assegura que as metas estão sendo alcançadas e se isso não acontecer, revise os objetivos e o estilo de vida atual. Aproveite a análise constante para tentar poupar mais ainda, especialmente se a sua renda crescer.

Tenha cuidado ao apostar na previdência privada

Uma boa parte dos brasileiros acredita que depois do INSS a melhor opção é a previdência privada. Porém, essa alternativa nem sempre é válida.

Os economistas indicam ficar atento, porque a contratação pode conter taxas elevadas e que corroem o retorno obtido.

A vantagem é poder aplicar um valor baixo por ano. Isso acontece porque inexiste quantia mínima predefinida. O montante também pode sair da conta automaticamente e é mais difícil de mexer no total por estar psicologicamente atrelado à previdência.

No entanto, as taxas pagas costumam ser mais altas que as dos investimentos comuns — e que abordaremos posteriormente.

Uma cobrança característica desse caso é a taxa de carregamento, que geralmente corresponde a um percentual da quantia aplicada. Esse valor pode ser bastante significativo.

Por exemplo: se você aplicar R$ 1 mil em um plano de previdência privada com um índice de 5%, acabará deixando R$ 50 já no início, situação que pune o seu retorno.

Outro problema é que o rendimento é baixo. Ele varia de acordo com a carteira de investimentos realizada, mas a rentabilidade anual tende a ficar entre 7% e 9%. Vale a pena ainda avaliar se há pagamento aos dependentes em caso de morte ou se é necessário adquirir seguros extras.

Continue contribuindo para o INSS

A Previdência Social não é a melhor opção, mas é importante manter a contribuição. Essa é uma maneira de garantir a aposentadoria pelo INSS e poder complementar o valor com a rentabilidade dos investimentos, por exemplo.

Em outras palavras, o pagamento ao governo continua sendo uma alternativa que ajuda no futuro. Só não pode ser a única opção.

Depois, basta saber como calcular o tempo para se aposentar e o valor que receberá juntando a Previdência Social e investimentos paralelos. Essa é a melhor maneira de garantir seu futuro.

Por que escolher investimentos de renda fixa?

Essa é uma pergunta muito fácil de responder: o risco de investir nessa modalidade é muito baixo. E esse item é um dos mais importantes quando o objetivo é economizar dinheiro para a aposentadoria. Mais que isso, as aplicações de renda fixa giram em torno dos juros compostos — um cálculo que beneficia muito o investidor.

Por exemplo: para não desperdiçar o 13º salário você pode aplicar R$ 1.000. Se obtiver um retorno de 8% ao ano, alcançará R$ 80 ao final de 12 meses.

Em 10 anos receberá de juros o equivalente a R$ 1.158,92 mais o montante inicial. Agora imagine que você empregará essa mesma quantia e ainda dará um reforço de R$ 200 mensalmente.

Ao final de 1 ano terá R$ 182,78 de juros mais R$ 2.400 de investimento contínuo. Somando tudo chegará a R$ 3.582,78.

Em uma década, nas mesmas condições, o investimento inicial continua sendo de R$ 1.000, mas terá R$ 24.000 de investimento contínuo e outros R$ 13.415,56 de rendimento. O resultado é de R$ 38.415,56. Interessante, não?

Esses exemplos demonstram que os investimentos de longo prazo são os melhores para chegar à resposta da pergunta: como se aposentar cedo? No entanto, há mais a considerar. É preciso pensar no valor mínimo para investir e nos detalhes que designam o manual da renda fixa.

Um deles é a liquidez, ou seja, a capacidade de transformar a aplicação em dinheiro. Outro é o próprio risco, mesmo que a regra geral na renda fixa seja a segurança. Ainda vale a pena pensar na rentabilidade. Esse tripé é o que indicará a melhor opção de investimento para o seu caso.

Para ajudá-lo a definir a melhor alternativa, reunimos as aplicações mais interessantes da renda fixa:

Tesouro Direto

Essa é uma modalidade proporcionada pelo governo federal, que emite títulos públicos para custear atividades de infraestrutura.

A compra e venda dos papéis ocorre por meio de uma plataforma específica e pode ser feita a partir de R$ 30, desde que corresponda a pelo menos 1% do ativo.

As opções existentes nessa modalidade são:

  • Tesouro Prefixado, com e sem pagamento de juros semestrais: o retorno é prefixado, o que significa que você já sabe quanto receberá na data de vencimento da aplicação. Pode haver o repasse de cupons semestrais, o que permite reinvestir a quantia recebida nesses períodos;

  • Tesouro IPCA+, com e sem pagamento de juros semestrais: a rentabilidade é pós-fixada e varia conforme o indicador que dá nome ao título. É importante lembrar que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo mede a inflação oficial. Por isso, essa aplicação assegura sua proteção contra a inflação. Também pode ter o repasse de cupons a cada 6 meses;

  • Tesouro Selic: esse é outro título pós-fixado, mas que varia conforme a taxa básica de juros da economia. É a única opção do Tesouro Direto que permite o resgate antecipado do dinheiro sem haver perdas.

No Tesouro Direto há o pagamento de taxa de custódia, referente a 0,3% ao ano sobre a quantia aplicada. As instituições financeiras que mediam a operação ainda podem cobrar 0,7% ao ano também em cima do total investido. Por fim, há incidência de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e Imposto de Renda (IR).

O primeiro tributo só é coletado se o valor ficar aplicado por menos de 30 dias. Nesse período o percentual pode ir de 96% — para saques de 1 dia — a 3% — resgates com 29 dias. Depois disso há isenção. O IR também varia de acordo com o prazo de aplicação, mas segue a tabela regressiva:

  • até 180 dias: alíquota de 22,5%;

  • de 181 a 360 dias: alíquota de 20%;

  • de 361 a 720 dias: alíquota de 17,5%;

  • acima de 720 dias: alíquota de 15%.

Certificado de Depósito Bancário (CDB)

Esses ativos são emitidos por instituições financeiras e, por isso, tendem a oferecer um retorno mais elevado que o Tesouro Direto.

Podem ser adquiridos por pessoa física ou jurídica, mas o CDB para investir exige uma quantia inicial a partir de R$ 500, dependendo do banco que emitiu o papel.

O risco da operação é bastante baixo e há a proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que assegura até R$ 250 mil por CPF por banco. A rentabilidade pode ser pré ou pós-fixada. No primeiro caso não há mistério. Você sabe quanto receberá ao final. No segundo ele pode estar atrelado ao CDI ou ao IPCA.

No caso do primeiro indexador você precisa estar atento ao percentual que renderá. Por exemplo: 98% do CDI. Isso significa que o seu rendimento será um pouco menor que esse indicador. Vale a pena destacar que os grandes bancos oferecem percentuais menores que as instituições de médio porte. O máximo oferecido é 98%.

No entanto, você consegue encontrar emissores bastante seguros e que pagam até 112% para aplicações de 3 anos. Para ter uma ideia, se você investir R$ 1.000 por 24 meses a 98% do CDI, o resultado será de R$ 1.113,15. Já com 110% do indexador chegará a R$ 1.128,02. É uma diferença que efetivamente compensa.

Por fim, há o CDB IPCA, que protege o investidor contra a inflação. O rendimento é excelente e você garante que terá seu poder de compra assegurado. Por isso, é outra boa alternativa.

Quanto à liquidez, há CDBs com possibilidade de resgate diário. Porém, a maioria é na data do vencimento. Portanto, vale a pena observar essa questão. Em relação aos custos o CDB é isento, mas há incidência de IOF e IR — nas mesmas condições do Tesouro Direto.

Entre as vantagens dessa modalidade estão:

  • liquidez conforme a necessidade do investidor;

  • risco baixo;

  • segurança;

  • rentabilidade alta;

  • isenção de custos;

  • oferta elevada de títulos.

Letra de Crédito Imobiliário (LCI)

Essa é uma alternativa interessante para a aposentadoria, porque a liquidez é mais baixa. Por isso, você assegura que o dinheiro ficará aplicado. O título é emitido por bancos e serve exclusivamente para custear atividades imobiliárias. O risco é bastante baixo e há a cobertura do FGC.

O IR e o IOF são isentos para pessoas físicas. Pode ser cobrada uma taxa de custódia, mas é importante comparar essa questão com o risco da instituição financeira para obter um bom equilíbrio.

Já a rentabilidade pode ser pré ou pós-fixada. A segunda é a modalidade mais comum e o indexador costuma ser o CDI, assim como ocorre com o CDB.

Letras Financeiras

Essa é outra alternativa para quem deseja manter o dinheiro aplicado até a data de vencimento. O montante inicial é alto, aproximadamente R$ 150 mil, mas o retorno também é elevado.

A rentabilidade é pós-fixada e atrelada geralmente ao CDI. Há cobrança de IR e nenhuma liquidez. Ou seja, você precisa manter o valor aplicado até a data de vencimento, que costuma ser de pelo menos 2 anos.

As Letras Financeiras são boas opções para quem já tem um patrimônio e quer complementar a aposentadoria deixando a quantia empregada por um período maior.

Todas essas opções de investimento são excelentes para quem deseja formar um fundo para a terceira idade. É dessa maneira que você conseguirá se aposentar com tranquilidade e complementar o valor do INSS, já que não é uma boa ideia contar apenas com essa alternativa.

Ao longo deste post apresentamos ainda formas de construir seu pé-de-meia e ter mais segurança no futuro. Todas as sugestões apresentadas são ideais para serem iniciadas agora mesmo. Então que tal colocá-las em prática?

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