Se você estuda a respeito do universo dos investimentos há algum tempo, já deve ter se deparado com a sigla ANBIMA, certo? Tal associação tem grande relevância para o bom funcionamento dos mercados financeiro e de capitais no Brasil.

Quem conhece um pouco da história da economia nacional e mundial, sabe o quanto as instituições que lidam com dinheiro são importantes para o desenvolvimento das famílias, das empresas e dos países em geral.

Por terem influência direta na vida das pessoas, essas instituições precisam seguir boas práticas empresariais, de modo a proteger os interesses daqueles que nelas confiam. Veja, a seguir, como a ANBIMA atua nesse processo de melhoria da qualidade dos mercados em questão. Boa leitura!

O que é ANBIMA?

ANBIMA é a sigla da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais. Ela é responsável por definir uma série de boas práticas para as empresas desses setores, além de oferecer certificações para os profissionais das áreas.

Ela surgiu oficialmente em 2009, com a fusão da Associação Nacional das Instituições do Mercado Financeiro (ANDIMA) e da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (ANBID).

A nova entidade passou a ter sede no Rio de Janeiro, além de escritório em São Paulo. Do ponto de vista jurídico, ela é uma associação civil sem finalidade econômica, que tem um modelo de atuação baseado em quatro compromissos, os quais são: representar, autorregular, informar e educar.

Fazem parte da ANBIMA entidades como bancos comerciais, bancos de investimento, corretoras de títulos e valores mobiliários, administradoras e gestoras de recursos de terceiros etc.

Como a entidade funciona?

Antes de tratarmos especificamente da atuação da ANBIMA, vale a pena lembrar alguns aspectos do funcionamento do Sistema Financeiro Nacional, que é composto de quatro mercados: de moeda, de crédito, de capitais e de câmbio.

Na estrutura do SFN, o órgão normativo principal é o Conselho Monetário Nacional (CMN), o qual dita as regras que devem ser seguidas pelos chamados operadores do sistema, como bancos, corretoras, bolsa de valores, seguradoras etc.

No meio de campo entre eles existem os órgãos de fiscalização, com destaque para o Banco Central do Brasil (BCB) e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Tais órgãos cobram a execução das normas, com base em leis que lhes conferem essa capacidade. Assim, trata-se aqui de uma fiscalização legal.

Quanto à atuação da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais, ela é baseada na denominada autorregulação, ou seja, os próprios participantes desses setores buscam adotar melhores práticas de gestão. Dessa maneira, a ANBIMA pretende estabelecer regras feitas pelo mercado, para o mercado e em benefício dele.

Vale ressaltar que os códigos de autorregulação e boas práticas são de adesão voluntária pelos participantes da associação. Ainda assim, uma vez que os membros da entidade se submetem a tais regras, eles passam a se sujeitar a eventuais penalidades decorrentes do não cumprimento dos códigos.

O estatuto da ANBIMA prevê as seguintes penas: carta de advertência, multa, advertência pública, suspensão do selo da associação e exclusão.

A ANBIMA também atua na representação dos mercados financeiro e de capitais perante os órgãos governamentais, por exemplo, por meio de convênios para colaboração técnica. A associação também busca estabelecer parcerias com entidades internacionais que trabalham com objetivos semelhantes ao dela.

Mais um foco da atuação da ANBIMA é a certificação dos profissionais de investimento, de modo a incentivar a melhoria da qualidade dos serviços prestados. São exemplos de certificações: CPA-20, CPA-10, CEA e CGA.

Cada uma delas é destinada a tipos específicos de interessados, além de poderem ser requisito obrigatório para contratação de pessoal por parte dos associados da ANBIMA. Por exemplo, a certificação CGA é direcionada a profissionais que trabalham com gestão de recursos de terceiros.

De que forma a ANBIMA influencia o mercado financeiro?

O dinheiro, por si só, desperta uma série de sentimentos nas pessoas, alguns bons, outros ruins. Assim, tudo que envolve esse tipo de recurso deve ser visto com responsabilidade, principalmente no que diz respeito a investimentos.

Imagine só esta situação: um indivíduo promete para uma pessoa idosa a chance de ganhar juros consideráveis no mercado financeiro, por meio de uma aplicação recente, que tem atraído a atenção de muitos investidores.

Passado algum tempo, a pessoa que alocou uma quantia nessa proposta tem prejuízo ou, na pior das hipóteses, levou um golpe e perdeu tudo. Já pensou que situação dramática, ainda mais se o idoso aplicou as economias que usaria para garantir o próprio futuro?

Como no mundo nem todos agem com honestidade, o trabalho da ANBIMA tem grande importância justamente para proteger os mercados financeiro e de capitais contra a ação de indivíduos e empresas mal-intencionadas.

O código de autorregulação da associação acerca de Gestão de Patrimônio estabelece que os membros tenham políticas de suitability antes de comercializar produtos para os clientes. Para fechar um contrato, as empresas precisam verificar o perfil de tolerância a risco do investidor, de modo que as ofertas feitas estejam de acordo com as características dos clientes.

Desse modo, dificilmente uma pessoa com perfil conservador, que prioriza a manutenção do capital, vai alocar recursos na renda variável, como o mercado de ações. Afinal, nesse tipo de aplicação, tanto pode haver chance de ganho quanto possibilidade de perda.

É indispensável que o investidor saiba dos riscos envolvidos nas operações que realiza, pois ele é responsável por todas as decisões tomadas nesse sentido.

Como você pôde perceber, a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais têm iniciativas relevantes para a melhoria desses setores, por meio dos quatro pilares de atuação: representar, autorregular, informar e educar.

Do ponto de vista do investidor, o fato de um banco estar atrelado a essa associação significa que tal empresa se preocupa com o aperfeiçoamento das próprias atividades, o que, em última instância, representa respeito ao cliente.

E você, procura saber se a instituição onde pretende fazer investimentos é associada à ANBIMA? Na sua opinião, tal filiação é importante na hora de decidir em que local deve aplicar as suas economias? Deixe seu comentário aqui no blog. Participe!